“Coisa de mau político”

Em 2004, há quase dez anos, Joba concorreu ao cargo de prefeito de Maringá pelo PV e fez quase 7800 votos. Na quarta capa de seu programa de governo vinha impressa a letra de “Endereço: Maringá, Paraná!”, de autoria de Emir Nunes Moreira. A música ficou a cargo de Beto Capeletto e o arranjo de Paulo Machado — o grupo Terra Vermelha.

A gravação na voz do ex-vereador fez relativo sucesso na cidade e foi usada e abusada em sua campanha eleitoral que, entre outras coisas, também se valeu de bonecões de Olinda com a figura do cabeludo. Em seguida, derrotado nas urnas, Joba saiu da cena política de Maringá.

Passada uma década, o advogado Emir Nunes Moreira — que não é maringaense — reclama a autoria e revela: “Jamais autorizei o seu uso. O tal Joba é useiro e vezeiro em apropriar-se de letras alheias e não devolvê-las. Coisa de mau político…”.

Maringá altera data do feriado de Natal

O maringaense está acostumado a não comemorar o aniversário da cidade na data correta. Há alguns anos, a pedido da Associação dos Sonegadores de Impostos de Maringá (A$$$IM), o feriado é alterado quando o dia 10 de maio é antes do Dia das Mães. Com o objetivo de bombar as vendas de presentes para as mamães maringaenses, o feriado deste ano ficou para o dia 13 de maio.

A experiência tem se mostrado bem sucedida. Os barões do comércio apresentam lucros maiores ano a ano. Por isso, o prefeito Gualberto Cupim (PMRB*) enviou à Câmara projeto que muda a data do feriado de Natal. Celebrado em todo o mundo no dia 25 de dezembro, Cupim quer que os maringaenses comemorem o nascimento de Cristo em 25 de junho.

Segundo o prefeito, a chegada do inverno é propícia para o Natal: “Devemos comemorar o Natal como no Primeiro Mundo, agasalhados e, se possível, com neve. O friozinho de junho já temos. Vou aos Estados Unidos na semana que vem em busca de uma tecnologia que nos proporcione neve artificial da melhor qualidade”. Ressaltou também que junho é carente de datas comemorativas: “Dia das Mães é em maio, Dia dos Pais em agosto, Dia das Crianças só em outubro. Como vender em junho? Entendo que a atencipação do Natal é mais uma atitude progressista de nossa bela cidade”.

Estátua do Peladão abaixa os braços por causa do frio, se agasalha e comemora o Natal junino.

Estátua do Peladão abaixa os braços por causa do frio, se agasalha e comemora o Natal junino.

* Pau Mandado do Ricardo Barros.

Até quando?

Um grave acidente vitimou Moisés Aparecido de Oliveira, 50, servidor público municipal de Maringá há 30 anos, na manhã de domingo (17). Casado e pai de duas crianças, era motorista do caminhão de lixo. Diante da equipe reduzida de coletores, deixou o volante para auxiliar os colegas na árdua e nobre tarefa de manter a cidade limpa. Morreu atropelado pelo próprio caminhão. 

A Prefeitura de Maringá trata o caso como uma fatalidade. Não é bem assim. O ato de descer do caminhão para ajudar os companheiros nessa e em outras ocasiões caracteriza desvio de função. O estatuto do servidor proíbe tal conduta. A secretaria responsável deveria estar atenta para isso, porém, com o escasso quadro de funcionários, é provável que as chefias incentivem quem trabalha na coleta a se desdobrar para cumprir o itinerário.

Há poucas semanas atrás, dois ônibus da TCCC colidiram e quinze passageiros ficaram feridos. Testemunhas relataram que um dos motoristas se distraiu ao dirigir e dar o troco ao mesmo tempo, provocando a batida. A figura do cobrador foi extinta do transporte coletivo de Maringá durante o primeiro mandato de Silvio Barros II.

A mudança continua e, com a morte de Moisés, constatamos que a vida dos trabalhadores que impulsionam as engrenagens da cidade pouco valem para a turma do azul. A maior preocupação do prefeito Roberto Pupin e do chefe Ricardo Barros é completar a equipe de 515 cargos de confiança criados para agraciar os aliados políticos. 

Pupin sequer teve o ato de grandeza de comparecer ao velório de Moisés e prestar solidariedade à família e colegas de trabalho. Não seguiu o exemplo da presidenta Dilma Rousseff, que cancelou compromisso internacional para visitar Santa Maria após a tragédia da boate. O ato de compaixão não pode ser confundido com oportunismo político. Governante que se preze deve ser racional, mas sem abandonar o humanismo.

Quantas “fatalidades” precisarão acontecer para que se escancare a ganância e o descaso dos governantes e empresas locais? Acidentes podem ser evitados e vidas salvas se o bom senso, o respeito às regras empregatícias e a valorização dos trabalhadores se sobreporem à busca surreal pelo lucro e interesses mesquinhos dos oligarcas de plantão.

Velório do servidor público municipal Moisés Aparecido de Oliveira, morto executando uma função que não era de sua competência. Vítima do descaso da administração municipal. Foto: BLOG DO SISMMAR.

Velório do servidor público municipal Moisés Aparecido de Oliveira, morto executando uma função que não era de sua competência. Vítima do descaso da administração municipal. O prefeito e Vagner Mussio, titular da SEMUSP, ignoraram o ato fúnebre. Foto: BLOG DO SISMMAR.

A submissão continua

A Câmara de Maringá, mesmo renovada em relação à legislatura anterior, continua submissa. Lamentável essa doação de 120 mil reais aos oligarcas do comércio. A entidade privada e altamente lucrativa, que desmoralizou a casa de leis em recente campanha para impedir o aumento de edis, deveria cuidar dos próprios negócios sem o auxílio dos cofres públicos. O repasse não tem justificativa. Os vereadores que votaram a favor, principalmente os da oposição, marcaram um gol contra.

 

A$$$IM

Do blog Maringá Manchete:

“Projeto do Executivo, em votação hoje na Câmara de Vereadores de Maringá, autoriza o Município a fazer convênio com a ACIM para a 21ª Maringá Liquida. O Município irá repassar R$ 120.000 para a realização do evento que irá ocorrer entre os dias 21 e 24 de fevereiro.

Opinião: caso os vereadores tenham um pouco de vergonha na cara, não podem liberar uma verba dessas para a realização de uma feira particular, onde somente a ACIM que ganha, nem os comerciantes participantes ganham. Dinheiro meu e seu colocado em atividade particular que visa lucro.”

Concordamos com o colega Agnaldo Vieira. Este blog, que em 2011 quase foi processado pelos bons samaritanos da digníssima associação, desde sempre entendeu o real objetivo da Sociedade Civil Organizada (A$$$IM e aliados) quando fizeram chilique contra o aumento de vereadores na Câmara. Elementar, caro maringaense: com mais representantes do povo na casa de leis, seria mais difícil conceder repasses absurdos como esse. É mais fácil manter o controle de 15 do que de 21 ou 23.

Aos patifes que caíram no engodo dos paladinos da democracia, supostos defensores da economia dos cofres públicos, aquele abraço. A aristocracia maringaense segue sua nau.

Uma entidade privada precisa de 120 mil reais dos cofres públicos?

Uma entidade privada precisa de 120 mil reais dos cofres públicos?

O fantástico túnel da UEM

A administração municipal realiza amanhã (07/02), às 08h30 no auditório Hélio Moreira, mais uma audiência “pública” com o objetivo de promover alterações no Plano Diretor de Maringá. Entre aspas porque no jeito pepista de governar as instâncias democráticas são meras formalidades. Tudo é ajeitado de forma que os desejos dos mandatários locais e seus brothers prevaleçam. Uma parte dos 515 cargos de confiança recém-contratados pela Prefeitura (cabos eleitorais pagos com dinheiro público) estarão lá, em horário de serviço, para votar a favor do chefe e sua turma.

Um dos assuntos abordados será o da transposição da UEM. A proposta de alteração da Lei 886/2011 sobre Diretrizes Viárias corta a UEM com prolongamento de vias em três pontos:

1) nas avenidas Duque de Caxias/Lauro Werneck;
2) na avenida Herval/Demétrio Ribeiro;
3) e entre o Hospital Universitário e a área da Agronomia, com prolongamento da Rua Ametista.

Se aprovado o projeto, parte da universidade será rasgada e algumas edificações da UEM demolidas. Haverá transtorno no campus com as obras e posteriormente com o fluxo intensificado de veículos. Assistir aulas e desenvolver pesquisas em um ambiente tumultuado não deve ser muito legal.

Francamente, o projeto é um delírio. Não resolve o problema do trânsito de Maringá. Ao contrário, a construção de novas vias incentiva ainda mais o transporte individual. A solução para a diminuição dos congestionamentos está na melhora do transporte público e condições adequadas para a utilização de meios alternativos (a bike, por exemplo), tal como acontece nas grandes metrópoles estrangeiras. No Brasil, infelizmente, carro representa status e busão é coisa de pobre. Sociedade desenvolvida é aquela em que o rico pode se dar ao luxo de deixar o carro na garagem porque o ônibus urbano é de qualidade.

Representantes da UEM e outras entidades organizadas confirmaram presença na audiência para rejeitar o projeto. O cidadão maringaense de bom senso tem que fazer o mesmo. Maringá não precisa de avenidas cortando um dos seus maiores patrimônios: a universidade pública.

Em defesa da Educação, da autonomia universitária e contra os interesses obscuros que rondam a obra malufônica – como tudo que envolve o conglomerado Barros – participe dessa luta. Quem puder vá ao Hélio Moreira e mostre aos que se consideram donos de Maringá que ainda existe vida inteligente por aqui.

Sem o horário das aulas, estudantes perdidos da UEM vão parar no Cesumar

O primeiro dia do ano letivo na Universidade Estadual de Maringá (UEM) foi marcado pela desorganização. A Diretoria de Assuntos Acadêmicos (DAA) não providenciou o horário das aulas para os alunos. Muitos calouros não sabiam nem para que bloco deviam ir. Isso gerou uma grande confusão. Alguns estudantes, não tendo ideia da direção que seguiam, foram parar no outro lado da cidade: “Passei direto pelo campus da UEM e rumei para o Cesumar. Vi um local chamado Bloco 10, um monte de gente bebendo e achei que era do meu curso”, afirmou Camille Victoria Andrade, do primeiro ano de Direito.

Basílio de Paula Júnior, de Ciências Sociais, também se perdeu: “Já saí de casa preparado para a festa do primeiro dia, totalmente chapado. Quando fui ver, não deu outra: dei de cara com o comediante Mazaroppi. Depois me avisaram que aquele senhor era importante no Cesumar” – surpreendeu-se o calouro.

Aproveitando a falha da UEM, funcionários do Cesumar não perderam tempo e realizaram um trabalho de convencimento para angariar novos alunos. Com a ficha de matrícula nas mãos, Altair Guerreiro, de Medicina, optou por permanecer na instituição privada: “Não encontrei minha sala na UEM, atravessei a cidade e parei aqui, morrendo de sede. Por sorte os bebedouros daqui funcionam, ao contrário dos da UEM. Melhor do Paraná sem água gelada? Sei não…” – questionou.

A previsão é que os calouros da UEM tenham acesso ao horário e local das aulas só após o carnaval. Até lá, muitos estudantes continuarão perdidos pela cidade. As particulares comemoram. “Quem aparecer por aqui recebe 50% de desconto nas mensalidades e um lanchinho grátis” – anunciou o sócio de uma faculdade privada de Maringá.

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Cara, cadê meu horário?

A mudança continua

por Luiz Modesto

Balanço do primeiro mês do governo Pupin:

– Aumento de 33% no preço da refeição no Restaurante popular;

– Contratação de 515 CCs, comprometendo 33,5 milhões de reais anuais do orçamento municipal, 88% a mais que na gestão passada;

– Exagerou no preço do IPTU deixando moradores indignados, o que resultou numa manifestação em frente ao paço municipal pela revisão dos valores;

– Comemorou o recorde de arrecadação municipal, 122 milhões, dos quais 27% já comprometidos com o pagamento dos 515 CCs;

– Mandou despejar 16 famílias sem-teto que ocupavam as casas inacabadas do Residencial Atenas;

– Negou-se a amparar as famílias despejadas por meio do Aluguel Social;

– Manteve o caos na saúde de Maringá, com médicos tendo que atender, em média, 40 pessoas por dia;

– Fruto dos 8 anos em que fez parte da gestão como vice-prefeito, iniciou o mandato com a notícia de que Maringá teve taxa de homicídio maior que a de São Paulo e Rio em 2012, proporcionalmente ao número de habitantes;

Da base aliada:

– Flávio Vicente assumiu uma secretaria para liberar a vaga para Carmem Inocente, que deverá assumir a condição de líder do governo na Câmara;

– Ulisses Maia e Luciano Brito protocolaram Projeto de Lei que destina 50 mil reais para a Ordem dos Pastores de Maringá – em sua maioria, apoiadores de Pupin/Barros – realizar a Marcha para Jesus;

Agenda para a primeira semana de fevereiro de 2013:

– 05/02: Acabar com o Fundo de Habitação de Interesse Social em Maringá em conferência pública “Mandrake”, decretando o fim da possibilidade de financiamento municipal para a construção de Casas Próprias e liberando o dinheiro para, possivelmente, ajudar os imobiliaristas e empresários amigos;

– 07/02: Decretar à força a viabilidade da transposição da UEM, por meio de audiência pública nem tão pública assim.

Exemplo de família maringaense feliz com o governo Pupin.

Exemplo de família maringaense feliz com o governo Pupin.

Maringá Horror Story

por Bruno Mosconi Ruy

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A foto em questão foi batida pela minha prima, Danielle Ruy Amaral, na noite de quinta para sexta-feira (31/01 – 01/02). Ela e eu dividimos um quintal às imediações do Hospital Psiquiátrico de Maringá. A cena, que peca um pouco pela nitidez, não poderia traduzir mais perfeitamente o desfoque sob o qual a administração de nossa cidade coloca seus “indivíduos irracionais”, emprestando as terminologias de Foucault. Trata-se de um homem, na casa de seus trinta anos, cruelmente asfixiado pelas grades da prisão à qual estava submetido. Ao tentar fugir do hospital, no início da madrugada, ele supostamente teve o diafragma seriamente lesionado, e morreu às mínguas, entre o mundo que o ignorou e a instituição que o excluiu. À ocasião da foto, enfermeiros e enfermeiras testemunhavam a retirada do corpo com desdém, troçando de sua inércia e rigidez como se fosse pouco mais do que um pedaço de pano enroscado entre os ferros. Isso não é novo. Em vinte e um anos de residência nas redondezas, já presenciei enfermeiros que, a despeito de uma inutilidade intrínseca, chegaram a incentivar que os internos saltassem dos muros de oito metros que separam o hospital do mundo – o que não raramente vinha a acontecer, entre sangue e ossos expostos.

A diretora geral do lugar assegura que “providenciou todas as medidas possíveis para atender o paciente”, o que alegadamente inclui atendimento médico. Mas que atendimento médico seria este, prestado à iminência do rigor mortis – fenômeno comumente iniciado entre três e quatro horas do óbito? A mesma diretora afirma que o homem estava internado por esquizofrenia, ainda que as informações iniciais o apontassem como dependente químico. Independente das suspeitas levantadas por esse inaceitável desencontro de dados, a quem cabe a responsabilidade pela fatalidade? Verdadeiramente, cabe um pouco a cada um de nós. Nas palavras de Roberto Machado, Doutor em Filosofia pela Université Catholique de Louvain, “… [esse] grande enclausuramento é […] um fenômeno eminentemente moral, um instrumento de poder político que, laicizando a moral e a realizando em sua administração, não apenas exclui da sociedade aqueles que escapam às suas regras, mas de modo mais fundamental, cria, produz uma população homogênea, de características específicas, como resultado dos próprios critérios que institui e exerce” (1988, p. 64-65). Aos desavisados, este movimento alienista é silencioso, organizado, sistemático – em Maringá, tal ingerência conta inclusive com uma bandeira. Esta, que na calada da noite, o Hospital Psiquiátrico arvorou em suas grades, sem nem mesmo dar-se à dignidade de meia-haste.

“Meu pói agradece”, afirmou Inri

O polêmico Inri Cristo, que se considera a reencarnação de Jesus, ficou muito contente com o projeto dos vereadores Luciano Brito (PSB) e Ulisses Maia (PP). A dupla pretende repassar R$ 50 mil dos cofres públicos em prol da realização da “Marcha para Jesus”, evento organizado pelos evangélicos. “O coração do meu pói (sic) enche de alegria quando somos lembrados por políticos tão generosos”, declarou Inri em entrevista para o blog.

Inri pretende visitar a cidade no dia da Marcha. Para agradecer o carinho dos maringaenses, prometeu utilizar os poderes divinos para resolver os problemas locais: “Falarei com meu pói (sic) e, Ele autorizando, vou multiplicar o número de vagas nas creches da cidade e também acabar com a fila de pessoas que aguardam por uma consulta médica”.

Vereadores destinam R$ 50 mil para evento religioso.

Vereadores destinam R$ 50 mil para evento religioso.

Indignação seletiva

Quando se cogitou a possibilidade de aumentar o número de cadeiras da Câmara de 15 para 21 vereadores – número considerado ideal para uma cidade com mais de 300 mil habitantes -, um movimento denominado “Sociedade Organizada” (representantes da indústria e comércio, setores religiosos e outros) aprontou o maior chilique.

Em nome da suposta economia de dinheiro público – tese facilmente desmentida, pois a porcentagem do repasse para a Câmara é o mesmo e independe da quantidade de edis -, investiram em vultuosas propagandas na tv, rádio e outdoors contrárias ao aumento. Também pagaram militantes para protestar na Câmara, devidamente uniformizados com camisetas pretas.

O interesse dos defensores da democracia na permanência das 15 cadeiras era óbvio: com menos vereadores, fica mais fácil aprovar os projetos de interesse da turma.

Com a mudança de governo (continuidade, na verdade), presenciamos o aumento excessivo de cargos de confiança na Prefeitura de Maringá. São aqueles contratados sem concurso público, apadrinhados politicamente. O apoio amplo ao candidato vitorioso, inclusive dos derrotados, obrigou o inchaço da máquina administrativa. Somente assim para acomodar a todos – ou quase.

O que isso representa em termos financeiros? R$ 33,3 milhões de reais a mais por ano. Dinheiro que poderia ser investido na valorização dos servidores de carreira ou na melhoria dos serviços públicos básicos.

A “Sociedade Organizada”, por enquanto, nada diz. Movimentos genéricos como o “Dia do Basta”, sem alvo definido, também não. Confirmam na prática que estão ao lado dos mandatários da cidade, e não do povo. Mas era de se esperar. Este blog e outros acusados de receberem o “mensalinho” da oposição já sabiam. A independência falaciosa dos combatentes da corrupção não resiste aos fatos.

Aumentar CCs pode, aumentar o número de vereadores não pode. Os interesses da "Sociedade Organizada" coincidem com quem manda na cidade.

Aumentar CCs pode, aumentar o número de vereadores não pode. A “Sociedade Organizada” se manifesta somente quando lhe é conveniente.

As ruas estão perigosas

Bons tempos em que era possível caminhar (ou pedalar) pelas ruas de Maringá nas madrugadas, sem o risco de ser assaltado. Ainda peguei essa época, quando não tinha uma motoneta. Voltava (às vezes um pouco bêbado, às vezes bastante) do Tribo´s, do falecido Asterisco, de outros bares etc. Caminhando, cantando e seguindo a canção com um vinho de péssima qualidade na mão. Nenhum marginal ou doente social que apela ao roubo para sustentar o vício no seu encalço.

Hoje em dia, você ouve de algum conhecido que foi assaltado e apenas balança a cabeça, lamentando, pois trata-se de uma rotina. O “progresso” que chegou à cidade na mão dos administradores atuais prioriza o privado (que beneficia uns poucos) em detrimento ao público. Segurança, saúde e outros serviços essenciais para a população… foda-se! Eles não governam para isso. Governam para atender a interesses obscuros, dos financiadores de campanha, os que erguem prédios altíssimos no Novo Centro, principalmente.

O maringaense tradicional (o que curte um sertanejo, um som automotivo alto, não perde um fim de semana no shopping e tal) adora dizer que vive numa cidade grande. Entretanto, junto com a grandeza vem de brinde um trânsito caótico, a insegurança, a falta de equipamentos públicos. E eu pergunto: É assim que deve ser? Não existe outro modelo? Acredito que sim.

Maringá completa 80 anos

A canção que deu origem ao nome de nossa cidade — e ao blog — faz oito décadas cheias em 2012. Foi em 1932 que Gastão Formenti (1894-1974) gravou a toada de Joubert de Carvalho (1900-1977). Ao longo desses 80 anos, foi cantada na voz de Carlos Galhardo, Silvio Caldas, Francisco Petrônio, Enrico Simonetti e Orquestra, Orlando Silva, Delora Bueno, Tonico e Tinoco, Inezita Barroso, Leo Marini (com e sem La Sonora Matancera), entre outros, e também pelos anônimos trabalhadores retirantes na selva norte-paranaense, na década de 1940… — reza a lenda que foi a d. Elizabeth Thomas, esposa de Arthur Thomas, então presidente da CMNP, que ouviu os trabalhadores assoviando a música e teve a sacada. A canção ainda é arrepiante, linda. Para mim, é mesmo maior do que a cidade de 350 mil habitantes que completou ontem 65 anos.

Lembrei de tudo isso agora ouvindo a ótima versão surf music feita pelos Bandidos Molhados em homenagem ao aniversário da cidade:

No meu Face não pode

O vereador Flávio Vicente (PSDB) me excluiu do Facebook por causa de uns comentários que fiz na página dele. O assunto: a pendenga entre Maringá e Londrina. O governo estadual pretende nomear a ExpoLondrina a feira agrícola oficial do Paraná, deixando magoadinhos os defensores da ExpoIngá.

Para botar lenha na fogueira, vereadores londrinenses enviaram um ofício à Câmara de Maringá, convidando os nossos edis para comparecerem na feira londrinense. Flávio Vicente achou isso uma provocação, um absurdo. Comentei dizendo que provocação é o que a “turma do amém” (da qual ele é integrante) faz, votando a favor dos interesses sórdidos da família do prefeito, mantendo o mesmo número de vereadores (tendo como justificava a economia dos gastos) e logo depois aumentando os salários dos edis da próxima legislatura, etc. Isso sim é provocação!

Pois bem, o nobre vereador me excluiu. E eu não sou o primeiro. Sempre quando alguém vai em seu Face em busca de um bom debate, é imediatamente expulso. O vereador se diz moderninho, abre espaço nas redes sociais, mas não aguenta uma boa crítica. Só quer saber de babação de ovo – coisa que os assessores dele e alunos do Cesumar fazem muito bem.

Bom que se saiba que esse cara é pré-candidato a prefeito. Pelas atitudes infantis que toma na internet, é lógico deduzir que, sentado na cadeira de mandatário da cidade, seria tão antidemocrático quanto a atual administração (que ele apoia com unhas e dentes, aliás). Abre o olho, Maringá!

Messias Mendes

O blog do Messias Mendes agora está em odiario.com.  Sempre incisivo nas críticas contra o status quo da cidade, esperamos que o veterano jornalista tenha vida longa em seu novo projeto.

Este humilde blog, em sua breve passagem pelo maior portal de notícias da região, não teve muita sorte ao se posicionar do lado oposto dos canalhas de Maringá. Foi censurado sumariamente. Após um ano e três meses de hospedagem, depois de algumas ameaças judiciais – prova de que liberdade de expressão é uma utopia -, voltou ao WordPress.

Guarda armada na UEM

Wilson Rezende reivindica em seu blog:

“Arma de eletrochoque é uma arma capaz de liberar uma descarga elétrica a fim de imobilizar uma pessoa momentaneamente, constituindo-se assim como uma arma não-letal, hoje infelizmente vemos estudantes baderneiros, cachaceiros e traficantes dentro da Universidade Estadual de Maringá, portanto a UEM deveria seguir o exemplo da UFSC pois lugar de bandido não é na universidade e sim na cadeia, 99% dos alunos da UEM são honestos, lutadores, a minoria, ou seja 1% são os baderneiros e cachaceiros do Pstu que ficam tomando lugar de trabalhadores que poderiam estar na UEM.”

Wilson vibra!