Pouco valor

Fui em um posto de combustíveis e conveniência na Avenida Kakogawa. Abasteci a motoca, comprei o Lance! por causa da aposentadoria do goleiro Marcos e, na hora de pagar, a atendente, meio constrangida, perguntou: “Quer O Diário de brinde?”. Perguntei de volta: “Sério? De graça?”. Ela: “Sim, é cortesia”. Agradeci, coloquei a edição do jornal mais respeitado da cidade debaixo do braço e voltei pra casa.

マリンガ*

* Maringá em katakana.

Dossiê Kakogawa: um início

Maringá e Kakogawa são cidades-irmãs desde 5 de outubro de 1972, quando da assinatura da lei 946/72 pelo prefeito Adriano Valente. A questão é porquê.

O maringaense conhece Kakogawa por meio de uma avenida da zona norte — a antiga Avenida Miosótis, renomeada através da lei 1530/81 –, onde Rodrigo e Rafa C. trabalham, e por uma placa de bronze em frente à Prefeitura que foi roubada tirada para lavar. Ah, claro, o prefeito também conhece, além de alguns sortudos da comitiva que vai para lá regularmente.

Mas e os habitantes de Kakogawa, como conhecem Maringá, “endereço famoso e gostoso” (JOBA, 2004)?

1) Lá há uma Avenida Maringá, também.

2) O verbete “マリンガ” na Wikipédia japonesa define Maringá como “uma cidade plana”, citando a relação de cidade-irmã com Kakogawa, os jogadores de futebol Alex Santos (Nagoya Grampus e seleção japonesa) e Roberto Júlio de Figueiredo (Sagan Tosu e ex-Ponte Preta), o cantor Carlos Toshiki (londrinense já chamado de Guilherme Arantes nipônico; que até passou no vestibular de Administração da UEM, mas largou tudo para se tornar ídolo no Japão com a banda Omega Tribe, fazendo sucesso no final da década de 80 e começo dos anos 90) e — acreditem — o professor Jucelino Nóbrega da Luz!

3) A página sobre Maringá no site de Kakogawa destaca o planejamento urbano, o Parque do Ingá (インガ公園), o verde, a agroindústria, a atuação dos nikkeis na política e economia local, o intercâmbio de jovens e jogadores de gateball e, é claro, a Avenida Kakogawa.

4) Curiosidades: Kakogawa também é cidade-irmã de Waitakere, na Nova Zelândia, que, por sua vez, é cidade-irmã de Huntington Beach, Califórnia; Ningbo, China; e Galway, Irlanda. Os símbolos de Kakogawa são o pinheiro e o rododendro.

Hossokawa, Barros, Bernardete e Yasunaga (?) em Kakogawa. Abril de 2008.

O bueiro que representa o descaso

Agora a pouco, no bairro do vereador mais votado de Maringá, na avenida Kakogawa, um homem e o seu filho de 2 anos tomaram um pequeno susto, mas que poderia ter sido de proporções maiores. Ao caminharem pela calçada, pisaram em cima da tampa de um bueiro, que cedeu e deixou os dois prestes a cair buraco abaixo, que tem aproximadamente 2 metros de profundidade. Felizmente, o pai foi ágil e conseguiu puxar a criança. O tombo deixou escoriações nos pés e mãos de ambos. O Bombeiros foi chamado pois a carteira do rapaz e o sapatinho da criança caíram dentro do bueiro. Vale ressaltar que os objetos foram retirados com bastante dificuldade pelos profissionais.

Não é a primeira vez que isso acontece. Hoje mesmo, de manhã, um senhor de idade também foi iludido pela tampa falsa. Vez ou outra, acontece algo semelhante. A população já reclamou, e nada foi feito a respeito. De fato, algo simples de ser resolvido. Muito simples. Será necessário algum indivíduo fraturar algum osso para as autoridades se manifestarem? Hein, vereador mais votado de Maringá que reside aqui no bairro? Ele, de certo, está mais preocupado em criar cargos comissionados na Câmara em prol de interesses meramente políticos. E para o povo que o elegeu, literalmente, o buraco é bem mais embaixo.

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