Análise de vídeo: Globo Repórter

Maringá apareceu no Globo Repórter em 10 de junho de 2005. Em abril daquele ano, fora destaque da Revista Época pelo mesmo motivo: é uma cidade “onde se sai à noite sem medo, as crianças brincam na rua e podem ir à escola de ônibus”, “parece um pedaço do paraíso, quando comparada à maior parte das cidades brasileiras” — a mamãe até “deixa a porta de casa apenas encostada” quando sai para passear com os filhos no meio da rua (calçada para quê?). Maringá saiu em outdoors espalhados por 70 cidades brasileiras. Há quem diga que foi por isso que o caldo entornou.

Dá para andar por aí a hora que for. Porém, nos bairros mais afastados do Centro  (claro), os bandidos invadem casas vazias para roubar duas latas de tinta e o material do pintor (nem o Antonio Ismael na fase mais down do Porta Aberta noticiava isso). E olhe que a população financia a Polícia e a Polícia trabalha, porém, não impede que o trânsito seja violento. Mais uma vez, a população ajuda a polícia: fiscaliza — os próprios cidadãos dão canetadas soft nos infratores, ou seja, brincar de guarda de trânsito é liberado (o que isso tem a ver com homicídios?).

Tudo isso só porque aqui as pessoas costumam se matar menos do que em outros lugares. Nunca o mandamento malufiano “Estupra, mas não mata” foi levado tão a sério. Ofenda a mãe do outro, mas não mate. Cobiça a mulher do próximo, mas não mata. Inveja, mas não mata. Minta, mas não mata. Rouba, mas não mata. Sequestra, mas não mata.

Quem topa um passeio noturno a pé agora, 2h30 da matina?

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