A submissão continua

A Câmara de Maringá, mesmo renovada em relação à legislatura anterior, continua submissa. Lamentável essa doação de 120 mil reais aos oligarcas do comércio. A entidade privada e altamente lucrativa, que desmoralizou a casa de leis em recente campanha para impedir o aumento de edis, deveria cuidar dos próprios negócios sem o auxílio dos cofres públicos. O repasse não tem justificativa. Os vereadores que votaram a favor, principalmente os da oposição, marcaram um gol contra.

 

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A$$$IM

Do blog Maringá Manchete:

“Projeto do Executivo, em votação hoje na Câmara de Vereadores de Maringá, autoriza o Município a fazer convênio com a ACIM para a 21ª Maringá Liquida. O Município irá repassar R$ 120.000 para a realização do evento que irá ocorrer entre os dias 21 e 24 de fevereiro.

Opinião: caso os vereadores tenham um pouco de vergonha na cara, não podem liberar uma verba dessas para a realização de uma feira particular, onde somente a ACIM que ganha, nem os comerciantes participantes ganham. Dinheiro meu e seu colocado em atividade particular que visa lucro.”

Concordamos com o colega Agnaldo Vieira. Este blog, que em 2011 quase foi processado pelos bons samaritanos da digníssima associação, desde sempre entendeu o real objetivo da Sociedade Civil Organizada (A$$$IM e aliados) quando fizeram chilique contra o aumento de vereadores na Câmara. Elementar, caro maringaense: com mais representantes do povo na casa de leis, seria mais difícil conceder repasses absurdos como esse. É mais fácil manter o controle de 15 do que de 21 ou 23.

Aos patifes que caíram no engodo dos paladinos da democracia, supostos defensores da economia dos cofres públicos, aquele abraço. A aristocracia maringaense segue sua nau.

Uma entidade privada precisa de 120 mil reais dos cofres públicos?

Uma entidade privada precisa de 120 mil reais dos cofres públicos?

Indignação seletiva

Quando se cogitou a possibilidade de aumentar o número de cadeiras da Câmara de 15 para 21 vereadores – número considerado ideal para uma cidade com mais de 300 mil habitantes -, um movimento denominado “Sociedade Organizada” (representantes da indústria e comércio, setores religiosos e outros) aprontou o maior chilique.

Em nome da suposta economia de dinheiro público – tese facilmente desmentida, pois a porcentagem do repasse para a Câmara é o mesmo e independe da quantidade de edis -, investiram em vultuosas propagandas na tv, rádio e outdoors contrárias ao aumento. Também pagaram militantes para protestar na Câmara, devidamente uniformizados com camisetas pretas.

O interesse dos defensores da democracia na permanência das 15 cadeiras era óbvio: com menos vereadores, fica mais fácil aprovar os projetos de interesse da turma.

Com a mudança de governo (continuidade, na verdade), presenciamos o aumento excessivo de cargos de confiança na Prefeitura de Maringá. São aqueles contratados sem concurso público, apadrinhados politicamente. O apoio amplo ao candidato vitorioso, inclusive dos derrotados, obrigou o inchaço da máquina administrativa. Somente assim para acomodar a todos – ou quase.

O que isso representa em termos financeiros? R$ 33,3 milhões de reais a mais por ano. Dinheiro que poderia ser investido na valorização dos servidores de carreira ou na melhoria dos serviços públicos básicos.

A “Sociedade Organizada”, por enquanto, nada diz. Movimentos genéricos como o “Dia do Basta”, sem alvo definido, também não. Confirmam na prática que estão ao lado dos mandatários da cidade, e não do povo. Mas era de se esperar. Este blog e outros acusados de receberem o “mensalinho” da oposição já sabiam. A independência falaciosa dos combatentes da corrupção não resiste aos fatos.

Aumentar CCs pode, aumentar o número de vereadores não pode. Os interesses da "Sociedade Organizada" coincidem com quem manda na cidade.

Aumentar CCs pode, aumentar o número de vereadores não pode. A “Sociedade Organizada” se manifesta somente quando lhe é conveniente.

No meu Face não pode

O vereador Flávio Vicente (PSDB) me excluiu do Facebook por causa de uns comentários que fiz na página dele. O assunto: a pendenga entre Maringá e Londrina. O governo estadual pretende nomear a ExpoLondrina a feira agrícola oficial do Paraná, deixando magoadinhos os defensores da ExpoIngá.

Para botar lenha na fogueira, vereadores londrinenses enviaram um ofício à Câmara de Maringá, convidando os nossos edis para comparecerem na feira londrinense. Flávio Vicente achou isso uma provocação, um absurdo. Comentei dizendo que provocação é o que a “turma do amém” (da qual ele é integrante) faz, votando a favor dos interesses sórdidos da família do prefeito, mantendo o mesmo número de vereadores (tendo como justificava a economia dos gastos) e logo depois aumentando os salários dos edis da próxima legislatura, etc. Isso sim é provocação!

Pois bem, o nobre vereador me excluiu. E eu não sou o primeiro. Sempre quando alguém vai em seu Face em busca de um bom debate, é imediatamente expulso. O vereador se diz moderninho, abre espaço nas redes sociais, mas não aguenta uma boa crítica. Só quer saber de babação de ovo – coisa que os assessores dele e alunos do Cesumar fazem muito bem.

Bom que se saiba que esse cara é pré-candidato a prefeito. Pelas atitudes infantis que toma na internet, é lógico deduzir que, sentado na cadeira de mandatário da cidade, seria tão antidemocrático quanto a atual administração (que ele apoia com unhas e dentes, aliás). Abre o olho, Maringá!

Prova

Acabei de fazer a prova do concurso da Câmara Municipal de Maringá. Haviam várias questões sobre improbidade administrativa e cassação de mandato. Seria alguma referência ao prefeito da cidade? Nas questões sobre informática, notei a ausência de uma pergunta referente à compra de laptops.