Discurso de José Cláudio Pereira Neto na Câmara Municipal de Maringá por ocasião de sua posse como prefeito no dia 1° de janeiro de 2001

Nós entramos a partir deste dia no ano do cinquentenário da emancipação política de Maringá e isto não é pouca coisa, visto que a cidade que temos, construída no esforço de nossos pioneiros e pelos esforços de pessoas como o doutor Adriano aqui presente.

Mas também estamos no primeiro dia de um novo século e, se não bastasse, de um novo milênio, o que me leva a refletir ainda mais na generosidade de Deus para com todos nós em podermos estar vivendo esta oportunidade.

Por outro lado, há que se pensar e muito na responsabilidade que temos com nossa cidade, com nosso país, com a nossa gente! A qualquer de nós já não é exigido o sacrifício de sair à rua para percebermos que não temos a cidade que queremos, o país que merecemos e a felicidade de nossa gente, que tanto se faz necessário.

Não bastasse a miséria estabelecida e imposta para mais de 40 milhões de brasileiro, que resulta na fome, na ausência de emprego, na omissão do Estado em oferecer o mínimo da tutela determinada na Constituição, no quesito da saúde, da educação, do bem-estar, vindo somando a tudo isso a exposição da nossa gente a um aumento desenfreado da violência, estamos vivendo o pior momento da conduta moral e ética da maioria da classe política dirigente de nossos destinos.

Sem descer às minúcias, aos detalhes e aos números, mas a uma realidade global, é possível afirmar, sem medo de errar ou de ser injusto com a classe política, que, de cada real arrecadado pelo setor público em nosso país, 60% dele é roubado ou desperdiçado, e os outros 40% nem sempre são aplicados, obedecendo-se ao princípio do qual o social deve prevalecer sobre as demais ações do governo, ou seja, as obras para atender as necessidades dos grupelhos que se associam aos governos e políticos são priorizadas e, após tudo isso, se houver sobras, então aplica-se em favor da vida.

E é por isso que assistimos este espetáculo dantesco de ausência de ações públicas em favor da vida. Ainda pior é a ação nefasta deste projeto neoliberal que, em nome desta tal globalização, condiciona o nosso país a uma situação de colônia, submissa aos interesses da especulação internacional, ao saque do patrimônio nacional construído com suor e vida de todos nós. E, diante de nossos olhos, sucateiam e arrebentam com as empresas nacionais, promovendo toda sorte de agressões cambial e tarifária à nossa força produtiva.

Não fosse o Brasil um país rico pela sua natureza e o seu povo generoso pela sua imensa capacidade de solidariedade, certamente povos sofridos de países do terceiro mundo iriam sentir-se honrados em nos ter como sócios de sua miséria.

Não fosse nossa cidade ser forte e sua gente laboriosa, certamente nós estaríamos assumindo este governo como síndicos de uma falência e não como porta-vozes de uma nova esperança de realização do sonho de dias melhores.

Faz-se necessário refletir o porquê de uma cidade como Maringá foi saqueada e um povo humilhado pela ação de um desgoverno. O que leva pessoas que recebem a mais preciosa honraria, que é a de governar um povo valente, trabalhador, honesto e solidário, se afastarem dos caminhos da honestidade, da humildade, dos caminhos de Deus!

Refletir o porquê do Poder Legislativo, salvo suas exceções, ficar surdo, mudo e cego, quando detém poderes para defender o povo, interrompendo um mau governo.

A conclusão a que chego é que a ganância pelo dinheiro, associada à vaidade pelo poder, tirou da classe política a sensibilidade pela humildade e pela honestidade e acabou com o medo da mão de Deus. O que nos dá alegria, nos mantém otimistas e sempre nos renova a esperança e nos permite continuar sonhando com as mudanças é a força da nossa gente aliada às riquezas de nossa cidade. É possível e vamos realizar um grande governo. É possível ter uma grande legislatura (e eu espero que se cumpra com garantia da auditoria, independente, ampla…).

Ao agradecer ao povo de Maringá pela vitória e pelos 107.320 votos, ratificamos nosso compromisso de um governo honesto, transparente, democrático e ético, executando um projeto de governo que começa e foi um dos grandes aliados para a nossa vitória, que primará pela inversão das prioridades e, sobretudo, estabelece que a vida é a mais cara obra que temos a preservar, e durante os próximos quatro anos, não terá a nossa gente que viver com os espetáculos tristes da corrupção, do roubo e do descaso do governo com o patrimônio público. E, sim, viver a honestidade da auditoria prometida.

Ao agradecer aos militantes do PT pelo esforço incondicional pela nossa vitória, que, em Maringá, além de lutar contra a máquina do governo municipal, os proprietários de alguns órgãos de comunicação, contra o abuso do poder econômico verificado em algumas candidaturas a prefeito, a ausência de recursos para a campanha, teve também que viver com as agressões covardes, desleais e inexplicáveis contra si, contra o PT e, sobretudo, contra minha pessoal, especialmente no segundo turno.

Agradecer também, porque, a despeito de tudo, o que enfrentamos e sofremos, esta militância deu em Maringá o maior exemplo de comportamento ético, democrático, que o nosso povo jamais conheceu. Contra o PT e seus candidatos, no correr das eleições, não houve uma única reclamação na justiça eleitoral julgada procedente.

Mais que isso, deu também o maior exemplo de como se faz uma campanha vitoriosa com honestidade e alegria, alegria que contagiou a todos, incluindo-se, aí, sobretudo as crianças, grandes parceiras do PT nestas eleições, o que nos deu a certeza de que o futuro que nos aguarda será melhor. Diante de tanta luta, esforço, lágrimas e alegrias, eu peço licença aos petistas aqui presentes para dizer aos meus companheiros e companheiras uma frase: vocês bagaçaram, nós bagaçamos!

Agradecer também a todos os nossos anônimos colaboradores que chegaram para a campanha e entraram no espírito de nossa luta como se fossem velhos petistas de guerra.

Não poderia deixar de agradecer em especial ao Padre Júlio que, num dos poucos momentos em que eu e o João Ivo estávamos de cabeça baixa, ele, com sua simplicidade e coragem, nos colocou de volta na campanha e na vitória.

Às nossas famílias, que viveram conosco momentos de muita apreensão, angústia e dor pelas agressões, estiveram do nosso lado o tempo todo, do primeiro ao último minuto.

E a todos reafirmo nosso pedido por oração pela nossa saúde, sabedoria, coragem e determinação nestes próximos quatro anos, mas também por sua participação no governo, contribuindo sobretudo com a necessária e permanente fiscalização e com suas ideias no Orçamento Participativo, porque uma cidade, para ser forte e justa, precisa ser edificada com a reunião de muitas mãos, de toda a nossa inteligência.

Aos companheiros(as) de governo, aos vereadores e vereadores, aos servidos municipais, pedir que amem nossa cidade, cada árvore, cada rua, cada bairro, cada canto, mas especialmente amem os maringaenses, cada um em especial e cada criança, mais que tudo. Porque a nossa presença no poder, no serviço público, não vale nada se, ao sairmos à rua e encontrarmos um pai sem emprego, uma família sem o que almoçar ou jantar, uma criança abandonada na calçada ou jogada no lixão nosso de cada dia, e não tivermos a sensibilidade de redobrarmos nossos esforços para exterminar com a miséria e de renunciar ao nosso bem-estar coletivo, se nosso rosto não corar de vergonha diante da miséria, é porque nós, políticos, não somos servidores e, de uma forma de outra, somos covardes ou desonestos!

Finalmente, dizer que, mais que honrar o PT, o povo de Maringá, o meu coração está pronto para honrar a Deus com um governo digno!

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