Tapas e beijos

Bastidores da aula magna na UEM com Gleisi Hoffmann:

A gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE) estava preocupadíssima com os estragos que o protesto, organizado por PSTU e agregados, poderia causar. O ato foi pacífico e tranquilo. Alguns cartazes, vaias e gritos tímidos, nada muito constrangedor para a convidada, que não nasceu ontem e sabe lidar com o contraditório.

O verdadeiro chilique foi armado pela boa e velha União da Juventude Socialista (UJS), que compõe a atual direção do DCE em parceria com a Juventude do PT (JPT). Sedento para aparecer, o representante da UJS acabou de fora da mesa de abertura, o que deu início a uma pífia e patética discussão com os integrantes da JPT. Ao final, os rebeldes excluídos fizeram um motim com gritos e bandeiras da UNE.

Para quem vive ou já viveu esse mundo paralelo do movimento estudantil – um mundo bem distante do mundo real -, foi só mais um capítulo da história de amor e ódio entre UJS e JPT, que brigam, trocam tapas, se esbofeteiam, mas sempre se UNEm, pois $onham e lutam por um mundo melhor (para eles).

Pupinzadas

A posse das novas secretárias da gestão municipal, Gaetana Martins, que assumiu a Secretaria da Mulher, e Olga Agulhon, ingressante à pasta da Cultura, foi marcada por novas gafes cometidas pelo prefeito de Maringá, Carlos Roberto Pupin, e pelo atropelamento do poder executivo sobre o legislativo.

Referindo-se a composição de seu corpo secretarial, que agora conta com quatro mulheres, além da primeira dama Luiza Pupin, o prefeito não conteve a seus instintos mais primitivos. Ao fazer uso da fala, justamente na ocasião da posse da nova encarregada pelo fomento das políticas públicas para a mulher, Pupin arrancou algumas risadas constrangidas ao afirmar que seria difícil ‘aguentar’ a tantas mulheres em sua gestão. Não satisfeito e inconsciente da saia justa que provocara, repetiu aos risos seu gracejo.

Prosseguindo seu desabafo, ainda não se sabe se conscientemente ou em ato falho, afirmou que, como gestor municipal, não teve medo de adotar medidas antipopulares durante sua gestão. Medidas antipopulares, como se pode consultar no dicionário, são as ações “contrárias ao povo ou aos seus interesses”, como por exemplo, o aumento exorbitante do IPTU.

O único vereador presente na cerimônia foi o oposicionista Carlos Mariucci (PT), artista plástico e militante da área da cultura. Como manda o protocolo das cerimônias oficiais, o uso da fala deve ser feito, necessariamente, pelo representante do poder legislativo e do poder executivo, que nesta cerimônia, fazia-se representar pelo vereador petista. Receoso com a fala de Carlos Mariucci, conhecido como opositor às medidas antipopulares da administração Pupin, o cerimonial do evento ignorou a presença do representante do poder legislativo, que compôs a mesa, mas não pôde fazer uso da fala.

Ah, os políticos!

O Brasil possui uma sociedade perfeita e idônea. Vou te contar o que estraga esse país lindo: os POLÍTICOS! Sim, os nossos representantes da administração pública. Esses caras são uns extraterrestres que caíram com suas naves nos cafundós do sertão. Logo que chegaram, desandaram a dar ordens e ocuparam os principais cargos. Ao contrário da honesta população brasileira que paga impostos em dia, não fura filas, devolve o troco a mais e jamais utiliza-se do ctrl c + v para confeccionar trabalhos acadêmicos, esses caras fazem tudo errado! Verdadeiro câncer de nossa civilização cristã ocidental exemplar, a classe política rouba, rouba e, mesmo quando estão cansados de roubar, resolvem afanar mais um pouco.

Incompetentes ao extremo, não conseguem oferecer educação pública de qualidade e hospitais decentes para ninguém. Tudo bem que eu estudei minha vida inteira na rede particular e tenho Unimed, mas é foda isso aí, viu. A contribuição pesada que nossa classe empresarial caridosa faz em forma de tributos vai tudo pelo ralo. Pelo esgoto! Ah, esses canalhas… meu país seria mil vezes melhor sem eles. Meu Brasil que teve uma colonização ibérica tão honrosa, sem mutretas e sempre prezando pela igualdade social. Pretos e brancos vivendo em harmonia desde sempre. Foda. O que estraga são os desgraçados dos políticos…

coxinhacoxinha

imagem meramente ilustrativa

Um dia histórico para Maringá!

Estava na sessão itinerante da Câmara Municipal, realizada no salão paroquial da Vila Santo Antônio, porque a minha avó, pioneira do bairro, seria homenageada. No momento em que ela foi chamada para receber um diploma e os aplausos do público presente, os manifestantes chegaram. De maneira ordeira e organizada ocuparam o local e exigiram dos vereadores a instalação imediata de uma CPI para averiguar irregularidades na empresa que monopoliza o transporte público de Maringá. Diante da pressão popular, os 15 vereadores assinaram a criação da CPI.

Confesso que não tenho palavras para descrever o que aconteceu. Depois de anos participando dos movimentos sociais, campanhas eleitorais, escrevendo textos em blogs e em páginas do Facebook sobre a administração municipal, e muitas vezes levando pancadas por isso, finalmente vejo os mandatários da província sendo colocados contra a parede.

Os rumos desses protestos ainda são imprevisíveis, mas hoje presenciamos uma grande vitória. Ao contrário da manifestação de terça, vimos a definição de pautas, a retomada da questão do transporte público e uma condução politizada do protesto.

Apesar dos gritos de “sem partido!” ecoados pela turma do oba-oba – aquela que saiu do Facebook, acordou agora, flerta com o autoritarismo e prefere esconder o rosto utilizando máscaras da moda -, era visível que a liderança do ato cabia aos companheiros velhos de guerra nos movimentos sociais, acostumados com as lutas.

Aguardo com otimismo o que acontecerá daqui em diante na política maringaense. Se o movimento manter o foco nas lutas regionais (TCCC, Contorno Norte, 515 CCs da Prefeitura etc), pode acumular conquistas.

protesto

Cupim confirmado na Fazenda de Verão

Com a possibilidade cada vez mais concreta de perder o mandato no julgamento do TSE, que deve ocorrer nos próximos dias, o prefeito Gualberto Cupim vislumbra novos horizontes. Cansado da política, o pecuarista pretende voltar às origens. A Rede Record confirmou a presença de Cupim na próxima edição do reality “A Fazenda de Verão“.

Cupim disse ao blog que está preparado para o novo desafio. Além da experiência na agricultura, essencial para realizar as provas do programa, o prefeito disse ter intimidade com a telinha: “Tenho experiência na tv, no horário eleitoral gratuito. Menti muito para ser eleito. É isso que se faz em um reality, não é mesmo?”.

Em conjunto com seu staff de 515 assessores, o prefeito traçou metas para o programa caso conquiste três lideranças consecutivas: valorizar as terras da propriedade, explorar a mão de obra de outros participantes e diminuir as reservas ecológicas. “Tudo pelo progresso!” – frisou Cupim.

A Fazenda merece um participante assim.

A Fazenda merece um participante assim.

O povo errou feio

Diniz Neto escreve em seu blog:

“O mandato do prefeito Roberto Pupin ainda precisa passar pelo TSE.
O fato, que não é nada irrelevante, é que a maioria dos eleitores, no primeiro e no segundo turno, deram a ele o mandato.
Será que a vontade popular é só um detalhe?”

Maringá, Maringá comenta:

Elementar, Diniz Neto. A população votou equivocadamente em alguém que nem poderia se candidatar. Preferiu acreditar na propaganda oficial mentirosa e milionária da turma do azul. Os maringaenses também foram ludibriados pela imprensa provinciana a serviço de Ricardo Barros. A derrota no TSE são favas contadas. Mais dia, menos dia, a sonhada e necessária queda de Roberto Pupin será concretizada.

Dias melhores virão

Até o mundo mineral sabe que o projeto da “Maringá de Toda a Nossa Gente” era o melhor para a cidade. Os menos favorecidos, inclusive a classe média ascendente, continuam sofrendo as agruras de um governo que só é azul para os ricos e aliados.

Continuamos aguardando ansiosamente e esperançosos a decisão do TSE, que pode corrigir o erro de um eleitorado composto por iludidos pela propaganda oficial mentirosa ou cúmplices de esquemas barrentos sórdidos.

Até quando?

Um grave acidente vitimou Moisés Aparecido de Oliveira, 50, servidor público municipal de Maringá há 30 anos, na manhã de domingo (17). Casado e pai de duas crianças, era motorista do caminhão de lixo. Diante da equipe reduzida de coletores, deixou o volante para auxiliar os colegas na árdua e nobre tarefa de manter a cidade limpa. Morreu atropelado pelo próprio caminhão. 

A Prefeitura de Maringá trata o caso como uma fatalidade. Não é bem assim. O ato de descer do caminhão para ajudar os companheiros nessa e em outras ocasiões caracteriza desvio de função. O estatuto do servidor proíbe tal conduta. A secretaria responsável deveria estar atenta para isso, porém, com o escasso quadro de funcionários, é provável que as chefias incentivem quem trabalha na coleta a se desdobrar para cumprir o itinerário.

Há poucas semanas atrás, dois ônibus da TCCC colidiram e quinze passageiros ficaram feridos. Testemunhas relataram que um dos motoristas se distraiu ao dirigir e dar o troco ao mesmo tempo, provocando a batida. A figura do cobrador foi extinta do transporte coletivo de Maringá durante o primeiro mandato de Silvio Barros II.

A mudança continua e, com a morte de Moisés, constatamos que a vida dos trabalhadores que impulsionam as engrenagens da cidade pouco valem para a turma do azul. A maior preocupação do prefeito Roberto Pupin e do chefe Ricardo Barros é completar a equipe de 515 cargos de confiança criados para agraciar os aliados políticos. 

Pupin sequer teve o ato de grandeza de comparecer ao velório de Moisés e prestar solidariedade à família e colegas de trabalho. Não seguiu o exemplo da presidenta Dilma Rousseff, que cancelou compromisso internacional para visitar Santa Maria após a tragédia da boate. O ato de compaixão não pode ser confundido com oportunismo político. Governante que se preze deve ser racional, mas sem abandonar o humanismo.

Quantas “fatalidades” precisarão acontecer para que se escancare a ganância e o descaso dos governantes e empresas locais? Acidentes podem ser evitados e vidas salvas se o bom senso, o respeito às regras empregatícias e a valorização dos trabalhadores se sobreporem à busca surreal pelo lucro e interesses mesquinhos dos oligarcas de plantão.

Velório do servidor público municipal Moisés Aparecido de Oliveira, morto executando uma função que não era de sua competência. Vítima do descaso da administração municipal. Foto: BLOG DO SISMMAR.

Velório do servidor público municipal Moisés Aparecido de Oliveira, morto executando uma função que não era de sua competência. Vítima do descaso da administração municipal. O prefeito e Vagner Mussio, titular da SEMUSP, ignoraram o ato fúnebre. Foto: BLOG DO SISMMAR.

A submissão continua

A Câmara de Maringá, mesmo renovada em relação à legislatura anterior, continua submissa. Lamentável essa doação de 120 mil reais aos oligarcas do comércio. A entidade privada e altamente lucrativa, que desmoralizou a casa de leis em recente campanha para impedir o aumento de edis, deveria cuidar dos próprios negócios sem o auxílio dos cofres públicos. O repasse não tem justificativa. Os vereadores que votaram a favor, principalmente os da oposição, marcaram um gol contra.

 

A$$$IM

Do blog Maringá Manchete:

“Projeto do Executivo, em votação hoje na Câmara de Vereadores de Maringá, autoriza o Município a fazer convênio com a ACIM para a 21ª Maringá Liquida. O Município irá repassar R$ 120.000 para a realização do evento que irá ocorrer entre os dias 21 e 24 de fevereiro.

Opinião: caso os vereadores tenham um pouco de vergonha na cara, não podem liberar uma verba dessas para a realização de uma feira particular, onde somente a ACIM que ganha, nem os comerciantes participantes ganham. Dinheiro meu e seu colocado em atividade particular que visa lucro.”

Concordamos com o colega Agnaldo Vieira. Este blog, que em 2011 quase foi processado pelos bons samaritanos da digníssima associação, desde sempre entendeu o real objetivo da Sociedade Civil Organizada (A$$$IM e aliados) quando fizeram chilique contra o aumento de vereadores na Câmara. Elementar, caro maringaense: com mais representantes do povo na casa de leis, seria mais difícil conceder repasses absurdos como esse. É mais fácil manter o controle de 15 do que de 21 ou 23.

Aos patifes que caíram no engodo dos paladinos da democracia, supostos defensores da economia dos cofres públicos, aquele abraço. A aristocracia maringaense segue sua nau.

Uma entidade privada precisa de 120 mil reais dos cofres públicos?

Uma entidade privada precisa de 120 mil reais dos cofres públicos?

O fantástico túnel da UEM

A administração municipal realiza amanhã (07/02), às 08h30 no auditório Hélio Moreira, mais uma audiência “pública” com o objetivo de promover alterações no Plano Diretor de Maringá. Entre aspas porque no jeito pepista de governar as instâncias democráticas são meras formalidades. Tudo é ajeitado de forma que os desejos dos mandatários locais e seus brothers prevaleçam. Uma parte dos 515 cargos de confiança recém-contratados pela Prefeitura (cabos eleitorais pagos com dinheiro público) estarão lá, em horário de serviço, para votar a favor do chefe e sua turma.

Um dos assuntos abordados será o da transposição da UEM. A proposta de alteração da Lei 886/2011 sobre Diretrizes Viárias corta a UEM com prolongamento de vias em três pontos:

1) nas avenidas Duque de Caxias/Lauro Werneck;
2) na avenida Herval/Demétrio Ribeiro;
3) e entre o Hospital Universitário e a área da Agronomia, com prolongamento da Rua Ametista.

Se aprovado o projeto, parte da universidade será rasgada e algumas edificações da UEM demolidas. Haverá transtorno no campus com as obras e posteriormente com o fluxo intensificado de veículos. Assistir aulas e desenvolver pesquisas em um ambiente tumultuado não deve ser muito legal.

Francamente, o projeto é um delírio. Não resolve o problema do trânsito de Maringá. Ao contrário, a construção de novas vias incentiva ainda mais o transporte individual. A solução para a diminuição dos congestionamentos está na melhora do transporte público e condições adequadas para a utilização de meios alternativos (a bike, por exemplo), tal como acontece nas grandes metrópoles estrangeiras. No Brasil, infelizmente, carro representa status e busão é coisa de pobre. Sociedade desenvolvida é aquela em que o rico pode se dar ao luxo de deixar o carro na garagem porque o ônibus urbano é de qualidade.

Representantes da UEM e outras entidades organizadas confirmaram presença na audiência para rejeitar o projeto. O cidadão maringaense de bom senso tem que fazer o mesmo. Maringá não precisa de avenidas cortando um dos seus maiores patrimônios: a universidade pública.

Em defesa da Educação, da autonomia universitária e contra os interesses obscuros que rondam a obra malufônica – como tudo que envolve o conglomerado Barros – participe dessa luta. Quem puder vá ao Hélio Moreira e mostre aos que se consideram donos de Maringá que ainda existe vida inteligente por aqui.

A mudança continua

por Luiz Modesto

Balanço do primeiro mês do governo Pupin:

– Aumento de 33% no preço da refeição no Restaurante popular;

– Contratação de 515 CCs, comprometendo 33,5 milhões de reais anuais do orçamento municipal, 88% a mais que na gestão passada;

– Exagerou no preço do IPTU deixando moradores indignados, o que resultou numa manifestação em frente ao paço municipal pela revisão dos valores;

– Comemorou o recorde de arrecadação municipal, 122 milhões, dos quais 27% já comprometidos com o pagamento dos 515 CCs;

– Mandou despejar 16 famílias sem-teto que ocupavam as casas inacabadas do Residencial Atenas;

– Negou-se a amparar as famílias despejadas por meio do Aluguel Social;

– Manteve o caos na saúde de Maringá, com médicos tendo que atender, em média, 40 pessoas por dia;

– Fruto dos 8 anos em que fez parte da gestão como vice-prefeito, iniciou o mandato com a notícia de que Maringá teve taxa de homicídio maior que a de São Paulo e Rio em 2012, proporcionalmente ao número de habitantes;

Da base aliada:

– Flávio Vicente assumiu uma secretaria para liberar a vaga para Carmem Inocente, que deverá assumir a condição de líder do governo na Câmara;

– Ulisses Maia e Luciano Brito protocolaram Projeto de Lei que destina 50 mil reais para a Ordem dos Pastores de Maringá – em sua maioria, apoiadores de Pupin/Barros – realizar a Marcha para Jesus;

Agenda para a primeira semana de fevereiro de 2013:

– 05/02: Acabar com o Fundo de Habitação de Interesse Social em Maringá em conferência pública “Mandrake”, decretando o fim da possibilidade de financiamento municipal para a construção de Casas Próprias e liberando o dinheiro para, possivelmente, ajudar os imobiliaristas e empresários amigos;

– 07/02: Decretar à força a viabilidade da transposição da UEM, por meio de audiência pública nem tão pública assim.

Exemplo de família maringaense feliz com o governo Pupin.

Exemplo de família maringaense feliz com o governo Pupin.

Fiscalização para quem?

No calor da hora da tragédia de Santa Maria (RS), que ceifou a vida de mais de 200 jovens, o vereador Ulisses Maia (PP), presidente da Câmara de Maringá, se apressou em dizer que a fiscalização na cidade será mais rigorosa em casas de entretenimento. Estabelecimentos sem alvará e com condições de segurança inadequadas não serão tolerados.

Há alguns anos na cidade temos a atuação da Ação Integrada de Fiscalização Urbana (AIFU). Batidas policiais, com o devido acompanhamento de fiscais da Prefeitura, Conselho Tutelar e Bombeiros, são feitas regularmente em bares e lanchonetes. Via de regra, os localizados na periferia ou que possuem um público alternativo – rockeiros ou LGBT, por exemplo.

Pelo que se sabe, nenhuma casa noturna frequentada pelos filhos da elite maringaense enfrentaram o rigor da lei. Nem é preciso dar nome aos bois. Nos moldes da gaúcha Kiss, há baladas por aqui em que pessoas se espremem em ambientes superlotados sem saídas de emergência visíveis. A classe média cheirosa da província aguarda duas horas ou mais em filas, é tratada como gado, paga caro e, pior, parece que gosta.

Esperamos que a medida anunciada por Maia – que tem se mostrado mais democrático que o presidente da legislatura anterior – não seja seletiva. Em nome da segurança, e não do lucro de meia dúzia de empresários inescrupulosos, todos devem cumprir as leis de funcionamento. Lacrar as portas de botecos do copo sujo é fácil. Vamos ver se existe disposição para enfrentar a “máfia da noite”.

Fila para entrar em uma conhecida boate maringaense.

Fila para entrar em uma conhecida boate maringaense.

“Meu pói agradece”, afirmou Inri

O polêmico Inri Cristo, que se considera a reencarnação de Jesus, ficou muito contente com o projeto dos vereadores Luciano Brito (PSB) e Ulisses Maia (PP). A dupla pretende repassar R$ 50 mil dos cofres públicos em prol da realização da “Marcha para Jesus”, evento organizado pelos evangélicos. “O coração do meu pói (sic) enche de alegria quando somos lembrados por políticos tão generosos”, declarou Inri em entrevista para o blog.

Inri pretende visitar a cidade no dia da Marcha. Para agradecer o carinho dos maringaenses, prometeu utilizar os poderes divinos para resolver os problemas locais: “Falarei com meu pói (sic) e, Ele autorizando, vou multiplicar o número de vagas nas creches da cidade e também acabar com a fila de pessoas que aguardam por uma consulta médica”.

Vereadores destinam R$ 50 mil para evento religioso.

Vereadores destinam R$ 50 mil para evento religioso.

Indignação seletiva

Quando se cogitou a possibilidade de aumentar o número de cadeiras da Câmara de 15 para 21 vereadores – número considerado ideal para uma cidade com mais de 300 mil habitantes -, um movimento denominado “Sociedade Organizada” (representantes da indústria e comércio, setores religiosos e outros) aprontou o maior chilique.

Em nome da suposta economia de dinheiro público – tese facilmente desmentida, pois a porcentagem do repasse para a Câmara é o mesmo e independe da quantidade de edis -, investiram em vultuosas propagandas na tv, rádio e outdoors contrárias ao aumento. Também pagaram militantes para protestar na Câmara, devidamente uniformizados com camisetas pretas.

O interesse dos defensores da democracia na permanência das 15 cadeiras era óbvio: com menos vereadores, fica mais fácil aprovar os projetos de interesse da turma.

Com a mudança de governo (continuidade, na verdade), presenciamos o aumento excessivo de cargos de confiança na Prefeitura de Maringá. São aqueles contratados sem concurso público, apadrinhados politicamente. O apoio amplo ao candidato vitorioso, inclusive dos derrotados, obrigou o inchaço da máquina administrativa. Somente assim para acomodar a todos – ou quase.

O que isso representa em termos financeiros? R$ 33,3 milhões de reais a mais por ano. Dinheiro que poderia ser investido na valorização dos servidores de carreira ou na melhoria dos serviços públicos básicos.

A “Sociedade Organizada”, por enquanto, nada diz. Movimentos genéricos como o “Dia do Basta”, sem alvo definido, também não. Confirmam na prática que estão ao lado dos mandatários da cidade, e não do povo. Mas era de se esperar. Este blog e outros acusados de receberem o “mensalinho” da oposição já sabiam. A independência falaciosa dos combatentes da corrupção não resiste aos fatos.

Aumentar CCs pode, aumentar o número de vereadores não pode. Os interesses da "Sociedade Organizada" coincidem com quem manda na cidade.

Aumentar CCs pode, aumentar o número de vereadores não pode. A “Sociedade Organizada” se manifesta somente quando lhe é conveniente.

Blogs sujos criticam imaculado prefeito em troca de trinta dinheiros

A denúncia do secretário de Comunicação de Maringá e colunista do O Diário nas horas vagas (ou vice-versa) chocou a cidade. Meios de comunicação que se dizem independentes e críticos da administração municipal realizam esse trabalho sujo porque, vejam só, recebem uma bufunfa mensal. O “mensalinho” alimenta essa raça de seres subversivos que desejam a todo custo impedir o progresso da cidade.

Comunistas travestidos de blogueiros, jornalecos baratos distribuídos em época eleitoral, o partido dos mensaleiros, ateus e satanistas estão mancomunados com um único objetivo: destruir a inatacável família que detém o poder político da cidade.

O atual prefeito, homem de sucesso e rico graças à predestinação divina, foi indicado a dedo pela família abençoada para continuar promovendo o bem-estar social da população. Alguém temente a Deus não pode fazer o mal.

Os argumentos dos blogueiros sujos são delirantes. De maneira orquestrada, atacam o aumento excessivo do número de cargos de confiança da Prefeitura. A cidade cresceu, fato! Precisa de mais quadros qualificados para administrar. Uma benção que tais profissionais capacitados apoiaram o candidato vitorioso e estão sendo agraciados com um lugar na gestão pública.

Outras críticas dos azedos já foram exaustivamente discutidas e nem merecem menção. A especulação imobiliária, por exemplo, que graças a Deus existe na cidade. Cidadãos honestos que compram seus terrenos devido ao suor do trabalho são beneficiados com a valorização crescente.

A cidade vai bem, obrigado. Muitos prédios bonitos, carros convivendo em harmonia com os pedestres, comércio próspero e políticas públicas adequadas para os menos favorecidos. Pobreza é algo raro por aqui, mas os que possuem poucas posses não podem reclamar. Gozam de bom atendimento nos serviços essenciais e da benevolência dos governantes locais.

Maringá é terra de gente trabalhadora. Empresários e empregados andam de mãos dadas e, juntos, alavancam a economia da região com o auxílio das grandiosas associações comerciais e empresariais.

Estamos solidários com o prefeito. Ataques contra a sua honra são inadmissíveis. Questionamentos sobre o modo de governar do grupo político da família de passado ilibado são intoleráveis. Se o povo o escolheu, é porque sobra competência. Aos “anti”, resta a inveja e o rancor. E o dinheiro do “mensalinho”, claro. Insistimos na pergunta: QUEM PAGA? QUEM?

QUEREMOS A FOICE E O MARTELO DO PERIGO VERMELHO LONGE DE MARINGÁ. DENUNCIE OS BLOGS SUJOS!

STALINISTAS ESTÃO A SOLTA NA CIDADE. QUEREMOS A FOICE E O MARTELO DO PERIGO VERMELHO LONGE DE MARINGÁ. DENUNCIE OS BLOGUEIROS SUJOS QUE EM TROCA DE TRINTA DINHEIROS JOGAM PEDRAS NO PREFEITO E ALIADOS.

Restaurante Popular é para o povo!

Silvio e Pupin deram mais uma banana para o povo de Maringá: o preço da refeição no Restaurante Popular aumentará de R$1,50 para R$2,00. O Restaurante, mantido em parceria entre a Prefeitura, governo estadual e governo federal, tem como público prioritário os trabalhadores de baixa renda. Deve, portanto, prezar pelo preço baixo. Não é o que pensam os administradores de Maringá.

Diante do aumento abusivo, um ato popular foi realizado hoje durante o almoço. Manifestantes recolheram assinaturas e conversaram com os frequentadores do estabelecimento. O abaixo assinado será encaminhado aos vereadores para que tomem providências e revoguem o aumento.

O blog apóia a iniciativa e parabeniza os organizadores do ato. Já que a tal da mudança continua, não vamos nos calar. Maringá merece coisa melhor que um prefeito assim.

Luz de velas

O Milton Ravagnani levantou um tema pertinente: a precária iluminação do estádio do Willie Davids. Fui assistir Grêmio Maringá 1 x 2 Paraná Clube, no último sabádo (12) à noite, e constatei isso. É difícil enxergar a bola no outro lado do campo. E o estádio continua com outro problema: a falta de banheiros e lanchonetes continuam impedindo a utilização das arquibancadas descobertas.

Com dois times da cidade na segunda divisão estadual – Grêmio Maringá e Metropolitano -, esperava-se uma melhor estrutura para receber os jogos. Mas a administração SIlvio/Pupin, a primeira a exigir pagamento para inscrição da Prova Rústica Tiradentes e responsável pela construção do maior elefante branco esportivo de Maringá (o velódromo), não deve estar muito preocupada com a situação.

Foto que tirei no momento do gol do Grêmio. Um golaço.

 

A censura, mais uma vez

Dom Anuar solicitou a retirada da imagem da Catedral do cartaz da Parada Gay. Da mesma forma que a Associação dos Canalhas e Inescrupulosos de Maringá (A$IM) agiu com a gente no ano passado. Evidente, é claro, que se o post não fosse retirado o blog seria processado, assim como o pessoal do movimento LGBT também caso não se retratassem.

E Maringá segue da mesma maneira. Alguns – a A$IM, a Igreja, a $ociedade Rurár, a escolinha do professor Wilson, entre outros – são intocáveis. A diferença entre nobreza, clero e plebe se acentua a cada dia. O medievalismo tem lugar nesta pequena província do norte do Paraná.

Quem viu desrespeito no cartaz brincou de pega-pega com o padre na infância.