Melhores da década: Jaime Drege

Era 2004 quando Ismael Santos, tal qual Pinga Fogo, com um Chicão fazendo as vezes de Beija-Flor, lançou o Maringá Urgente no horário do almoço da RTV. No meio de tudo, isto é, peças musicais sofríveis e anúncios das Lojas Alvorada feitos pela Gabi, chamavam a atenção as reportagens de Jaime Drege (de Souza). Eu, garoto, terminando o Fundamental, esperava por elas todo dia. Depois comentava na escola.

Do sucesso meteórico à morte repentina

Drege foi um dos precursores, em nossa cidade, do “jornalismo” porta de cadeia, feito em tom de deboche, que expunha os detidos em situações vexatórias. E dá-lhe forminhas de fazer capeta, bêbados, tarados, aposentados que “comeram e não pagaram”, prostitutas que receberam calote, flanelinhas com problemas psicológicos… Todos os tipos que evitamos e queremos longe de nós — no máximo, do outro lado da tela da TV.

Com um vocabulário todo próprio, o repórter resgatava essas figuras do limbo e escancarava a realidade da baixa roda maringaense. Vindos de hotéis de quinta categoria, bares imundos ou de barracos caindo aos pedaços, todos tinham voz e vez.

Jaime Drege mostrava também o cotidiano da cadeira, abrindo os caldeirões da cozinha — no “fundão da Nona” — e comentando se o arroz estava soltinho, qual era o prato principal (lembro bem da galinha à cabidela da hora da “xepa”!). O pessoal do Factorama, como eu, adorava seu estilo irreverente e não foram poucas as vezes em que lhe dedicaram postagens.

Em maio de 2005, ele deixaria o Maringá Urgente para trabalhar Aqui Agora local, na afiliada do SBT. Faleceu em 9 de dezembro daquele ano, aos 51 anos, de falência múltipla de órgãos, em Sarandi. Havia sofrido um AVC e já estava internado há algum tempo devido a complicações de um aneurisma cerebral. Foi sepultado no Cemitério São João Batista de Presidente Prudente, sua cidade natal. Na ocasião, Fabio Linjardi chegou a comentar: “Sua morte acontece em um dos momentos em que a cidade mais precisa de humor”.

Legado

O gênero de reportagem mundo-cão ficaria órfão com sua morte. Porém, ganharia fôlego com a popularização do YouTube e do vídeo de “Jeremias Muito Louco”. Daniel Orivaldo da Silva, com seu desenrugamento de pele, ficaria conhecido pelo mesmo Maringá Urgente, que está no ar até hoje, ancorado por Eduardo Santos, filho de Ismael, em reportagem de André Almenara.

De algum lugar, Jaime Drege deve estar rindo de tudo isso.

* Os vídeos deste post foram ao ar no especial de final de ano de 31 de dezembro de 2004, apresentado por Drege.

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Melhores da década: Joba

“Seus filhos não são seus filhos. São filhos da vida”. Essa frase do poeta líbano-americano Gibran Kahlil Gibran, dita por Joba, ao som de Now we are free, da Enya, me dava arrepios — La la da pa da le na da na, ve va da pa da le na da dumda… Tempos depois, eu iria estudar no colégio que fez essa propaganda, onde ele lecionara. Sempre fui fã do cabeludo.

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