Fiscalização para quem?

No calor da hora da tragédia de Santa Maria (RS), que ceifou a vida de mais de 200 jovens, o vereador Ulisses Maia (PP), presidente da Câmara de Maringá, se apressou em dizer que a fiscalização na cidade será mais rigorosa em casas de entretenimento. Estabelecimentos sem alvará e com condições de segurança inadequadas não serão tolerados.

Há alguns anos na cidade temos a atuação da Ação Integrada de Fiscalização Urbana (AIFU). Batidas policiais, com o devido acompanhamento de fiscais da Prefeitura, Conselho Tutelar e Bombeiros, são feitas regularmente em bares e lanchonetes. Via de regra, os localizados na periferia ou que possuem um público alternativo – rockeiros ou LGBT, por exemplo.

Pelo que se sabe, nenhuma casa noturna frequentada pelos filhos da elite maringaense enfrentaram o rigor da lei. Nem é preciso dar nome aos bois. Nos moldes da gaúcha Kiss, há baladas por aqui em que pessoas se espremem em ambientes superlotados sem saídas de emergência visíveis. A classe média cheirosa da província aguarda duas horas ou mais em filas, é tratada como gado, paga caro e, pior, parece que gosta.

Esperamos que a medida anunciada por Maia – que tem se mostrado mais democrático que o presidente da legislatura anterior – não seja seletiva. Em nome da segurança, e não do lucro de meia dúzia de empresários inescrupulosos, todos devem cumprir as leis de funcionamento. Lacrar as portas de botecos do copo sujo é fácil. Vamos ver se existe disposição para enfrentar a “máfia da noite”.

Fila para entrar em uma conhecida boate maringaense.

Fila para entrar em uma conhecida boate maringaense.

O lema da Expoingá

A Expoingá, que completa quatro décadas neste ano, adotou o seguinte slogan: “Há 40 anos proporcionando o desenvolvimento do agronegócio!”.

Dá perfeitamente para substituir por: “Há 40 anos proporcionando o desenvolvimento e uso indiscriminado de agrotóxicos e adubos químicos”.

Ou então:  “Há 40 anos proporcionando o desenvolvimento das grandes corporações em detrimento aos pequenos produtores”.

Que tal: “Há 40 anos proporcionando o desemprego em massa no campo”.

São tantas opções…

Programa de índio

Sábado à noite, fui com a minha namorada ao show de uma banda de rock nacionalmente conhecida e outra de um país vizinho. O evento, organizado por aquele porco espinho azul e uma renomada rádio FM, foi em um cubículo localizado na Avenida Curitiba. Antes de entrar no recinto, é claro, rolou a tradicional fila de uma hora. Não estou exagerando: uma hora cravada esperando. Isso porque compramos convites antecipados.

O bar, apesar de cheio de grife, é apertado. Difícil se locomover sem trombar em corpos alheios. Mas como quem está na chuva é pra se molhar, bóra curtir o som e tomar umas. Long neck de Skol e Brahma (porra, não tem Antarctica!): R$4,50, Bohemia e Stella Artois (uma bosta!): R$ 5,50. Os cardápios disponíveis constavam que o preço era R$ 5,00 para as duas últimas. Só descobri o acréscimo de 50 centavos quando paguei a conta.

Uma cena hilária que merece ser registrada: durante a compra de uma cerveja, o cara que estava na minha frente se enrolou com o cartão, e ouviu do atendente: “Porra, cara, vai logo com isso!”. O cliente disse: “Ué, tá mal humorado?”. O barman respondeu: “Claro que estou, olha o tanto de gente que tem aí”. Após observar a pequena discussão, pedi a minha long neck de maneira bem eficiente, para não irritá-lo também.

Sobre os shows, nada a reclamar. As duas mandaram um som de primeira. Saímos pouco antes de terminar a segunda apresentação, da banda nacional, porque a namorada estava cansada e para evitar outra fila no caixa. De lá, levamos duas lições: nunca mais voltar ao recinto e pensar duas vezes antes de prestigiar um projeto patrocinado por esses que pouco valorizam as bandas de Maringá e, obviamente, encaram o rock´n roll somente como negó$$io.

Índio rockeiro desapontado com tamanho da fila e preço da cerveja.

A boa do fim de semana

O festival Paraíso do Rock agita mais uma vez a aprazível Paraíso do Norte (a 70 km de Maringá) neste fim de semana:

E hoje, no MPB Bar, tem Cash in Flowers “fazendo cover de Pearl Jam com as vísceras”. Confira na matéria do Alexandre Gaioto.

Ajude o Pub Fiction a não fechar

No Facebook, o Natan, proprietário do Pub Fiction, dá o recado:

“É o seguinte, como uma ultima alternativa to apostando nos open destilados, tem dado certo, se continuar dando certo não precisarei vender o bar.

Então por favor galera que curte o pub, o ambiente, o som, o espaço que dou para bandas em mga e pra galera beber a vontade, tão a vontade que pode ate escreve o seu nome na parede hehe

Não gostaria que o pub fechasse? ajude como puder que talvez ficaremos abertos nesse momento de crise pro bar =)

Só ajudando a divulgar, ja estara ajudando MTO!”

O blog faz a sua parte para ajudar o Natan. A balada de hoje é:

Crazy Legs

Apesar da banda Crazy Legs ter 15 anos de vida e já ter lançado cinco discos, vai tocar pela primeira vez em Maringá e Londrina. Os shows desse final de semana trazem para o interior do Paraná uma das principais bandas do cenário independente brasileiro e com reconhecimento no exterior. Batemos um papo com o baterista e compositor McCoy para sabermos a expectativa da banda para esses shows e algumas novidades como o próximo disco:

ZOMBILLY – Depois de 15 anos e tantas dificuldades no meio independente o que ainda motiva vocês a continuar tocando?
McCOY – O que mais nos motiva a continuar tocando é justamente o reconhecimento e a receptividade dos mais diversos tipos de público por onde passamos, seja aqui no Brasil ou exterior. Outra coisa muito gratificante é ver as pessoas cantando junto as músicas da banda nos shows. Alegrar as pessoas não tem preço!

(leia mais no Zombilly)