Maringá e a Primeira Liga

A temporada 2016 do futebol brasileiro apresentou uma novidade: a Primeira Liga. Clubes do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul se organizaram de forma independente e, sem o apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ressuscitaram o torneio regional que havia sido disputado entre os anos de 1999 e 2002. A Copa Sul, disputada em 1999, e a Copa Sul-Minas, que aconteceu entre os anos de 2000 e 2002, serviram como embrião da proposta. Flamengo e Fluminense, descontentes com os desmandos da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (FERJ), também abraçaram a ideia. O certame indiscutivelmente proporciona encontros mais interessantes do que o dos malfadados campeonatos estaduais. Acredita-se também que a Primeira Liga poderá ser a futura e sonhada Liga Nacional de Clubes, que teria o poder de organizar os campeonatos nacionais no lugar da CBF.

Após a leitura do primeiro parágrafo, você me pergunta: por que falar da Primeira Liga em um blog sobre Maringá? Simplesmente porque o futebol maringaense faz parte dessa história.

O glorioso Grêmio Maringá esteve presente na Copa Sul em 1999 e na Copa Sul-Minas em 2000. A vaga na Copa Sul foi conquistada com o vice-campeonato da Copa Paraná em 1998. O Galo Guerreiro perdeu a final do torneio estadual para o Atlético-PR. Por isso, garantiu vaga no primeiro torneio regional do Sul do país. Integrou o Grupo C da Primeira Fase juntamente com Atlético-PR, Avaí (SC) e Juventude (RS). A campanha foi para lá de modesta: 1 ponto em 6 partidas.

COPA SUL 1999
31/01/1999 – Grêmio Maringá 0 X 3 Juventude
04/02/1999 – Avaí 2 X 0 Grêmio Maringá
08/02/1999 – Grêmio Maringá 0 X 2 Atlético-PR
11/02/1999 – Atlético-PR 3 X 0 Grêmio Maringá
18/02/1999 – Grêmio Maringá 1 X 1 Avaí
24/02/1999 – Juventude 2 X 1 Grêmio Maringá

No segundo semestre de 1999, o alvinegro maringaense novamente fez bonito na Copa Paraná e levantou a taça de campeão. A torcida lotou o Estádio Willie Davids na partida decisiva contra o Londrina e presenciou uma vitória inesquecível por 2 a 1. O Grêmio Maringá novamente conquistou a vaga no torneio regional, que virou Sul-Minas em 2000 com as presenças de Cruzeiro, Atlético-MG e América-MG. Na Primeira Fase, o Galo compôs o Grupo C acompanhado de Cruzeiro, Coritiba e mais uma vez o Juventude de Caxias do Sul. A campanha foi um pouco melhor do que a do ano anterior: 2 pontos em 6 jogos.

COPA SUL-MINAS 2000
22/01/2000 – Coritiba 2 X 0 Grêmio Maringá
27/01/2000 – Grêmio Maringá 0 X 1 Cruzeiro
30/01/2000 – Juventude 4 X 0 Grêmio Maringá
02/02/2000 – Cruzeiro 1 X 0 Grêmio Maringá
06/02/2000 – Grêmio Maringá 1 X 1 Juventude
13/02/2000 – Grêmio Maringá 2 X 2 Coritiba

Apesar dos resultados negativos, o Galo não fez feio em 2000. Protagonizou uma bela partida contra o forte Cruzeiro no Willie Davids, pressionando o clube mineiro desde o início. Infelizmente a bola não entrou e o artilheiro Oséas marcou o único tento cruzeirense aos 45′ do segundo tempo. Já eliminado no último jogo contra o Coritiba, arrancou um empate que abreviou a passagem de Joel Santana pelo Coxa. Somando as duas participações, o Grêmio Maringá não conseguiu nenhuma vitória.

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Grêmio Maringá 0 X 1 Cruzeiro (Copa Sul-Minas 2000)

Agora batizado de Copa Sul-Minas-Rio, seria interessante que a Primeira Liga oferecesse nas próximas edições vagas para equipes do interior melhores qualificadas nos campeonatos estaduais. Tal fórmula estava prevista para ser adotada na Copa Sul-Minas de 2003, mas o torneio foi extinto pela CBF para privilegiar o Brasileirão de pontos corridos. Se retomarem a regra em questão, o Maringá Futebol Clube – vice-campeão Paranaense em 2014 e campeão da Copa Paraná em 2015 – ficaria apto para brigar por uma vaga. Se o Grêmio Maringá voltar para a Primeira Divisão Paranaense em 2017, também. A possibilidade de disputar um torneio com gigantes do futebol nacional representaria um estímulo e tanto para os clubes maringaenses.

A Primeira Liga pode e deve combater a CBF e as federações estaduais, mas a Copa Sul-Minas-Rio ficará mais forte e atraente com critérios técnicos que permitam a presença de clubes tradicionais do interior, como Maringá, Londrina, Operário de Ponta Grossa, Caldense, Brasil de Pelotas etc. Torcemos por isso.

D. Jaime e Pinga Fogo: o legado do conservadorismo

Impossível falar da história de Maringá sem citar os nomes de Dom Jaime Luiz Coelho (1916-2013) e de Benedito Pinga Fogo de Oliveira (1951-2014). Ambos eram exímios comunicadores.

Além de comandar a arquidiocese local com pulso firme por quatro décadas, D. Jaime também se aventurou na mídia. Fundou um dos primeiros jornais da cidade e a tv católica Terceiro Milênio. Também tinha espaço cativo todas as manhãs na rede afiliada da Globo. Pinga Fogo, sujeito de origem humilde, começou no rádio, criou um estilo próprio no jornalismo policial televiso e construiu o seu próprio império regional de comunicação. Falando do jeito que o povo gosta, como ele mesmo gostava de dizer, soube como ninguém usar os meios de comunicação para promover ações assistencialistas.

D. Jaime e Pinga Fogo, cada um ao seu tempo, sempre estiveram ao lado dos interesses das elites. O arcebispo de Maringá apoiou o golpe militar de 1964. Em vários discursos, D. Jaime acusava o governo João Goulart, que estava tentando implantar as chamadas reformas de base, de promover a desordem. Segundo Gilson Aguiar, “outra de suas ações foi a criação da FAP (Frente Agrária Paranaense) para enfrentar a Liga Camponesa liderada por Francisco Julião. Dom Jaime era um anticomunista”.

Pinga Fogo batia no peito ao afirmar que decidia eleições em favor do grupo político que o sustentava: a família Barros. O seu programa na TV Maringá foi multado várias vezes em períodos eleitorais. Era sócio de Ricardo Barros na concessão da rádio Nova Ingá. Em suas falas, Pinga Fogo sempre menosprezou movimentos contestatórios ao status quo. Recentemente, o apresentador Beija-Flor, que estava substituindo Pinga Fogo durante a internação, disse: “Quem critica Maringá deve morar em outra cidade!”. Aprendeu direitinho com o mestre.

Maringá chega aos 67 anos propagandeando desenvolvimento econômico e progresso calcado no cimento. Uma cidade que despreza o transporte urbano em prol do individual. Em que a especulação imobiliária alcança níveis alarmantes, expulsando famílias de menor poder aquisitivo para longe daqui. A mentalidade provinciana que acredita fielmente na ideia do self-made man, na criminalização da juventude, na restrição dos espaços públicos e na patética ilusão da “ditadura de esquerda que toma conta do país”.

Esses são alguns dos legados dessas duas figuras emblemáticas para a construção ideológica e política da sociedade maringaense. Provavelmente perpassarão gerações.

D. Jaime e Pinga Fogo… que Deus os tenham.

 

Tapas e beijos

Bastidores da aula magna na UEM com Gleisi Hoffmann:

A gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE) estava preocupadíssima com os estragos que o protesto, organizado por PSTU e agregados, poderia causar. O ato foi pacífico e tranquilo. Alguns cartazes, vaias e gritos tímidos, nada muito constrangedor para a convidada, que não nasceu ontem e sabe lidar com o contraditório.

O verdadeiro chilique foi armado pela boa e velha União da Juventude Socialista (UJS), que compõe a atual direção do DCE em parceria com a Juventude do PT (JPT). Sedento para aparecer, o representante da UJS acabou de fora da mesa de abertura, o que deu início a uma pífia e patética discussão com os integrantes da JPT. Ao final, os rebeldes excluídos fizeram um motim com gritos e bandeiras da UNE.

Para quem vive ou já viveu esse mundo paralelo do movimento estudantil – um mundo bem distante do mundo real -, foi só mais um capítulo da história de amor e ódio entre UJS e JPT, que brigam, trocam tapas, se esbofeteiam, mas sempre se UNEm, pois $onham e lutam por um mundo melhor (para eles).

Maringá Futebol Clube, de novo

O Metropolitano, time do Zebrão, subiu de divisão e mudou de nome. Agora é MARINGÁ FUTEBOL CLUBE. É assim que a equipe maringaense será chamada na principal divisão do futebol paranaense. Estreia domingo que vem (19/01), contra o Coritiba, no estádio Willie Davids. A RPC transmite a peleja.

Não é a primeira vez que temos um Maringá Futebol Clube nos representando. O futebol maringaense é marcado por idas e vindas do saudoso Grêmio Maringá, três vezes campeão paranaense, criado na década de 60 e que há muito anda mal das pernas. Nesse período, presenciamos o nascimento e extinção de várias agremiações que tentaram ocupar o espaço deixado pelo combalido galo guerreiro.

O outro M.F.C., que não tem nada a ver com o atual, é da década de 90. Para ser mais exato, 1995. Com muita pompa, o prefeito Said Ferreira incentivou a criação de um novo clube na cidade. Até Zico veio no evento de lançamento do M.F.C., o tricolor da cidade canção (verde, preto e branco). O mascote era o Lobo. O primeiro ano foi bom: título da terceirona do Campeonato Paranaense.

Em 1996, o regulamento do certame estadual era confuso. O grupo B, equivalente à segunda divisão – o Grêmio Maringá também estava lá – classificou dois times para a segunda fase da série A, entre eles, o Maringá. O tricolor não fez feio: terminou  a competição em sexto lugar, graças aos gols do artilheiro Mario.

Said Ferreira deixou o cargo em 1996 e o candidato da sucessão, o promotor de justiça Joel Coimbra, não logrou êxito. O eleito foi Jairo Gianoto, que cortou a ligação da administração municipal com o M.F.C. Sem um patrocinador forte, o tricolor teve vida curta. Fez campanha modesta no Paranaense de 1997 e caiu de divisão em 1998, quando encerrou suas atividades e nunca mais voltou.

Evento de lançamento do M.F.C. (fonte: blog Bola Velha).

Evento de lançamento do M.F.C. (fonte: blog Bola Velha).

Pupinzadas

A posse das novas secretárias da gestão municipal, Gaetana Martins, que assumiu a Secretaria da Mulher, e Olga Agulhon, ingressante à pasta da Cultura, foi marcada por novas gafes cometidas pelo prefeito de Maringá, Carlos Roberto Pupin, e pelo atropelamento do poder executivo sobre o legislativo.

Referindo-se a composição de seu corpo secretarial, que agora conta com quatro mulheres, além da primeira dama Luiza Pupin, o prefeito não conteve a seus instintos mais primitivos. Ao fazer uso da fala, justamente na ocasião da posse da nova encarregada pelo fomento das políticas públicas para a mulher, Pupin arrancou algumas risadas constrangidas ao afirmar que seria difícil ‘aguentar’ a tantas mulheres em sua gestão. Não satisfeito e inconsciente da saia justa que provocara, repetiu aos risos seu gracejo.

Prosseguindo seu desabafo, ainda não se sabe se conscientemente ou em ato falho, afirmou que, como gestor municipal, não teve medo de adotar medidas antipopulares durante sua gestão. Medidas antipopulares, como se pode consultar no dicionário, são as ações “contrárias ao povo ou aos seus interesses”, como por exemplo, o aumento exorbitante do IPTU.

O único vereador presente na cerimônia foi o oposicionista Carlos Mariucci (PT), artista plástico e militante da área da cultura. Como manda o protocolo das cerimônias oficiais, o uso da fala deve ser feito, necessariamente, pelo representante do poder legislativo e do poder executivo, que nesta cerimônia, fazia-se representar pelo vereador petista. Receoso com a fala de Carlos Mariucci, conhecido como opositor às medidas antipopulares da administração Pupin, o cerimonial do evento ignorou a presença do representante do poder legislativo, que compôs a mesa, mas não pôde fazer uso da fala.

Ah, os políticos!

O Brasil possui uma sociedade perfeita e idônea. Vou te contar o que estraga esse país lindo: os POLÍTICOS! Sim, os nossos representantes da administração pública. Esses caras são uns extraterrestres que caíram com suas naves nos cafundós do sertão. Logo que chegaram, desandaram a dar ordens e ocuparam os principais cargos. Ao contrário da honesta população brasileira que paga impostos em dia, não fura filas, devolve o troco a mais e jamais utiliza-se do ctrl c + v para confeccionar trabalhos acadêmicos, esses caras fazem tudo errado! Verdadeiro câncer de nossa civilização cristã ocidental exemplar, a classe política rouba, rouba e, mesmo quando estão cansados de roubar, resolvem afanar mais um pouco.

Incompetentes ao extremo, não conseguem oferecer educação pública de qualidade e hospitais decentes para ninguém. Tudo bem que eu estudei minha vida inteira na rede particular e tenho Unimed, mas é foda isso aí, viu. A contribuição pesada que nossa classe empresarial caridosa faz em forma de tributos vai tudo pelo ralo. Pelo esgoto! Ah, esses canalhas… meu país seria mil vezes melhor sem eles. Meu Brasil que teve uma colonização ibérica tão honrosa, sem mutretas e sempre prezando pela igualdade social. Pretos e brancos vivendo em harmonia desde sempre. Foda. O que estraga são os desgraçados dos políticos…

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imagem meramente ilustrativa

Nome de rua

Projeto de lei do vereador Mário Verri, com o apoio fundamental de Carlos Emar Mariucci, eternizou o nome do meu avô Adolpho – falecido em 2010 – em uma rua da cidade. Quem pensa que nomear ruas é algo inútil está muito enganado. Além de uma justa homenagem aos pioneiros, facilita a vida da população para encontrar os endereços.

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crédito: Cris C.

Padrão FIFA (só que não)

No dia em que o futebol maringaense voltou a sorrir, com mais de 5000 pessoas no Willie Davids prestigiando a ascensão do Metropolitano para a elite do Paraná, não podemos fechar os olhos para os problemas que os torcedores enfrentaram no estádio.

Para começar, os portões só foram abertos às 18h30, ou seja, uma hora antes da partida. Com público recorde, muitos só conseguiram entrar no WD quando a bola já estava rolando. Faltou organização e bom senso para a diretoria do Metrô.

No intervalo, quem assistiu o jogo na arquibancada descoberta (como este que vos escreve) teve que encarar o novo banheiro do estádio. Quem foi o gênio que planejou aquilo? Certamente nunca pisou em um campo de futebol. Uma boa quantidade de dinheiro público torrado em um cubículo inadequado para a presença de milhares de torcedores. Com certeza, diante do que ocorreu ontem, vai precisar de uma nova reforma.

Esperamos que os erros de ontem sirvam de lição para a Prefeitura de Maringá (que administra o WD) e o Metropolitano. O maringaense ama o futebol e certamente irá prestigiar o clube na primeirona, mas exige o mínimo de respeito quando vai ao estádio. Do contrário, é melhor aguentar a narração do Jasson Goulart na RPC.

Um dia histórico para Maringá!

Estava na sessão itinerante da Câmara Municipal, realizada no salão paroquial da Vila Santo Antônio, porque a minha avó, pioneira do bairro, seria homenageada. No momento em que ela foi chamada para receber um diploma e os aplausos do público presente, os manifestantes chegaram. De maneira ordeira e organizada ocuparam o local e exigiram dos vereadores a instalação imediata de uma CPI para averiguar irregularidades na empresa que monopoliza o transporte público de Maringá. Diante da pressão popular, os 15 vereadores assinaram a criação da CPI.

Confesso que não tenho palavras para descrever o que aconteceu. Depois de anos participando dos movimentos sociais, campanhas eleitorais, escrevendo textos em blogs e em páginas do Facebook sobre a administração municipal, e muitas vezes levando pancadas por isso, finalmente vejo os mandatários da província sendo colocados contra a parede.

Os rumos desses protestos ainda são imprevisíveis, mas hoje presenciamos uma grande vitória. Ao contrário da manifestação de terça, vimos a definição de pautas, a retomada da questão do transporte público e uma condução politizada do protesto.

Apesar dos gritos de “sem partido!” ecoados pela turma do oba-oba – aquela que saiu do Facebook, acordou agora, flerta com o autoritarismo e prefere esconder o rosto utilizando máscaras da moda -, era visível que a liderança do ato cabia aos companheiros velhos de guerra nos movimentos sociais, acostumados com as lutas.

Aguardo com otimismo o que acontecerá daqui em diante na política maringaense. Se o movimento manter o foco nas lutas regionais (TCCC, Contorno Norte, 515 CCs da Prefeitura etc), pode acumular conquistas.

protesto

Maringá altera data do feriado de Natal

O maringaense está acostumado a não comemorar o aniversário da cidade na data correta. Há alguns anos, a pedido da Associação dos Sonegadores de Impostos de Maringá (A$$$IM), o feriado é alterado quando o dia 10 de maio é antes do Dia das Mães. Com o objetivo de bombar as vendas de presentes para as mamães maringaenses, o feriado deste ano ficou para o dia 13 de maio.

A experiência tem se mostrado bem sucedida. Os barões do comércio apresentam lucros maiores ano a ano. Por isso, o prefeito Gualberto Cupim (PMRB*) enviou à Câmara projeto que muda a data do feriado de Natal. Celebrado em todo o mundo no dia 25 de dezembro, Cupim quer que os maringaenses comemorem o nascimento de Cristo em 25 de junho.

Segundo o prefeito, a chegada do inverno é propícia para o Natal: “Devemos comemorar o Natal como no Primeiro Mundo, agasalhados e, se possível, com neve. O friozinho de junho já temos. Vou aos Estados Unidos na semana que vem em busca de uma tecnologia que nos proporcione neve artificial da melhor qualidade”. Ressaltou também que junho é carente de datas comemorativas: “Dia das Mães é em maio, Dia dos Pais em agosto, Dia das Crianças só em outubro. Como vender em junho? Entendo que a atencipação do Natal é mais uma atitude progressista de nossa bela cidade”.

Estátua do Peladão abaixa os braços por causa do frio, se agasalha e comemora o Natal junino.

Estátua do Peladão abaixa os braços por causa do frio, se agasalha e comemora o Natal junino.

* Pau Mandado do Ricardo Barros.

Cupim confirmado na Fazenda de Verão

Com a possibilidade cada vez mais concreta de perder o mandato no julgamento do TSE, que deve ocorrer nos próximos dias, o prefeito Gualberto Cupim vislumbra novos horizontes. Cansado da política, o pecuarista pretende voltar às origens. A Rede Record confirmou a presença de Cupim na próxima edição do reality “A Fazenda de Verão“.

Cupim disse ao blog que está preparado para o novo desafio. Além da experiência na agricultura, essencial para realizar as provas do programa, o prefeito disse ter intimidade com a telinha: “Tenho experiência na tv, no horário eleitoral gratuito. Menti muito para ser eleito. É isso que se faz em um reality, não é mesmo?”.

Em conjunto com seu staff de 515 assessores, o prefeito traçou metas para o programa caso conquiste três lideranças consecutivas: valorizar as terras da propriedade, explorar a mão de obra de outros participantes e diminuir as reservas ecológicas. “Tudo pelo progresso!” – frisou Cupim.

A Fazenda merece um participante assim.

A Fazenda merece um participante assim.

O povo errou feio

Diniz Neto escreve em seu blog:

“O mandato do prefeito Roberto Pupin ainda precisa passar pelo TSE.
O fato, que não é nada irrelevante, é que a maioria dos eleitores, no primeiro e no segundo turno, deram a ele o mandato.
Será que a vontade popular é só um detalhe?”

Maringá, Maringá comenta:

Elementar, Diniz Neto. A população votou equivocadamente em alguém que nem poderia se candidatar. Preferiu acreditar na propaganda oficial mentirosa e milionária da turma do azul. Os maringaenses também foram ludibriados pela imprensa provinciana a serviço de Ricardo Barros. A derrota no TSE são favas contadas. Mais dia, menos dia, a sonhada e necessária queda de Roberto Pupin será concretizada.

Dias melhores virão

Até o mundo mineral sabe que o projeto da “Maringá de Toda a Nossa Gente” era o melhor para a cidade. Os menos favorecidos, inclusive a classe média ascendente, continuam sofrendo as agruras de um governo que só é azul para os ricos e aliados.

Continuamos aguardando ansiosamente e esperançosos a decisão do TSE, que pode corrigir o erro de um eleitorado composto por iludidos pela propaganda oficial mentirosa ou cúmplices de esquemas barrentos sórdidos.

Até quando?

Um grave acidente vitimou Moisés Aparecido de Oliveira, 50, servidor público municipal de Maringá há 30 anos, na manhã de domingo (17). Casado e pai de duas crianças, era motorista do caminhão de lixo. Diante da equipe reduzida de coletores, deixou o volante para auxiliar os colegas na árdua e nobre tarefa de manter a cidade limpa. Morreu atropelado pelo próprio caminhão. 

A Prefeitura de Maringá trata o caso como uma fatalidade. Não é bem assim. O ato de descer do caminhão para ajudar os companheiros nessa e em outras ocasiões caracteriza desvio de função. O estatuto do servidor proíbe tal conduta. A secretaria responsável deveria estar atenta para isso, porém, com o escasso quadro de funcionários, é provável que as chefias incentivem quem trabalha na coleta a se desdobrar para cumprir o itinerário.

Há poucas semanas atrás, dois ônibus da TCCC colidiram e quinze passageiros ficaram feridos. Testemunhas relataram que um dos motoristas se distraiu ao dirigir e dar o troco ao mesmo tempo, provocando a batida. A figura do cobrador foi extinta do transporte coletivo de Maringá durante o primeiro mandato de Silvio Barros II.

A mudança continua e, com a morte de Moisés, constatamos que a vida dos trabalhadores que impulsionam as engrenagens da cidade pouco valem para a turma do azul. A maior preocupação do prefeito Roberto Pupin e do chefe Ricardo Barros é completar a equipe de 515 cargos de confiança criados para agraciar os aliados políticos. 

Pupin sequer teve o ato de grandeza de comparecer ao velório de Moisés e prestar solidariedade à família e colegas de trabalho. Não seguiu o exemplo da presidenta Dilma Rousseff, que cancelou compromisso internacional para visitar Santa Maria após a tragédia da boate. O ato de compaixão não pode ser confundido com oportunismo político. Governante que se preze deve ser racional, mas sem abandonar o humanismo.

Quantas “fatalidades” precisarão acontecer para que se escancare a ganância e o descaso dos governantes e empresas locais? Acidentes podem ser evitados e vidas salvas se o bom senso, o respeito às regras empregatícias e a valorização dos trabalhadores se sobreporem à busca surreal pelo lucro e interesses mesquinhos dos oligarcas de plantão.

Velório do servidor público municipal Moisés Aparecido de Oliveira, morto executando uma função que não era de sua competência. Vítima do descaso da administração municipal. Foto: BLOG DO SISMMAR.

Velório do servidor público municipal Moisés Aparecido de Oliveira, morto executando uma função que não era de sua competência. Vítima do descaso da administração municipal. O prefeito e Vagner Mussio, titular da SEMUSP, ignoraram o ato fúnebre. Foto: BLOG DO SISMMAR.

A submissão continua

A Câmara de Maringá, mesmo renovada em relação à legislatura anterior, continua submissa. Lamentável essa doação de 120 mil reais aos oligarcas do comércio. A entidade privada e altamente lucrativa, que desmoralizou a casa de leis em recente campanha para impedir o aumento de edis, deveria cuidar dos próprios negócios sem o auxílio dos cofres públicos. O repasse não tem justificativa. Os vereadores que votaram a favor, principalmente os da oposição, marcaram um gol contra.

 

A$$$IM

Do blog Maringá Manchete:

“Projeto do Executivo, em votação hoje na Câmara de Vereadores de Maringá, autoriza o Município a fazer convênio com a ACIM para a 21ª Maringá Liquida. O Município irá repassar R$ 120.000 para a realização do evento que irá ocorrer entre os dias 21 e 24 de fevereiro.

Opinião: caso os vereadores tenham um pouco de vergonha na cara, não podem liberar uma verba dessas para a realização de uma feira particular, onde somente a ACIM que ganha, nem os comerciantes participantes ganham. Dinheiro meu e seu colocado em atividade particular que visa lucro.”

Concordamos com o colega Agnaldo Vieira. Este blog, que em 2011 quase foi processado pelos bons samaritanos da digníssima associação, desde sempre entendeu o real objetivo da Sociedade Civil Organizada (A$$$IM e aliados) quando fizeram chilique contra o aumento de vereadores na Câmara. Elementar, caro maringaense: com mais representantes do povo na casa de leis, seria mais difícil conceder repasses absurdos como esse. É mais fácil manter o controle de 15 do que de 21 ou 23.

Aos patifes que caíram no engodo dos paladinos da democracia, supostos defensores da economia dos cofres públicos, aquele abraço. A aristocracia maringaense segue sua nau.

Uma entidade privada precisa de 120 mil reais dos cofres públicos?

Uma entidade privada precisa de 120 mil reais dos cofres públicos?

O fantástico túnel da UEM

A administração municipal realiza amanhã (07/02), às 08h30 no auditório Hélio Moreira, mais uma audiência “pública” com o objetivo de promover alterações no Plano Diretor de Maringá. Entre aspas porque no jeito pepista de governar as instâncias democráticas são meras formalidades. Tudo é ajeitado de forma que os desejos dos mandatários locais e seus brothers prevaleçam. Uma parte dos 515 cargos de confiança recém-contratados pela Prefeitura (cabos eleitorais pagos com dinheiro público) estarão lá, em horário de serviço, para votar a favor do chefe e sua turma.

Um dos assuntos abordados será o da transposição da UEM. A proposta de alteração da Lei 886/2011 sobre Diretrizes Viárias corta a UEM com prolongamento de vias em três pontos:

1) nas avenidas Duque de Caxias/Lauro Werneck;
2) na avenida Herval/Demétrio Ribeiro;
3) e entre o Hospital Universitário e a área da Agronomia, com prolongamento da Rua Ametista.

Se aprovado o projeto, parte da universidade será rasgada e algumas edificações da UEM demolidas. Haverá transtorno no campus com as obras e posteriormente com o fluxo intensificado de veículos. Assistir aulas e desenvolver pesquisas em um ambiente tumultuado não deve ser muito legal.

Francamente, o projeto é um delírio. Não resolve o problema do trânsito de Maringá. Ao contrário, a construção de novas vias incentiva ainda mais o transporte individual. A solução para a diminuição dos congestionamentos está na melhora do transporte público e condições adequadas para a utilização de meios alternativos (a bike, por exemplo), tal como acontece nas grandes metrópoles estrangeiras. No Brasil, infelizmente, carro representa status e busão é coisa de pobre. Sociedade desenvolvida é aquela em que o rico pode se dar ao luxo de deixar o carro na garagem porque o ônibus urbano é de qualidade.

Representantes da UEM e outras entidades organizadas confirmaram presença na audiência para rejeitar o projeto. O cidadão maringaense de bom senso tem que fazer o mesmo. Maringá não precisa de avenidas cortando um dos seus maiores patrimônios: a universidade pública.

Em defesa da Educação, da autonomia universitária e contra os interesses obscuros que rondam a obra malufônica – como tudo que envolve o conglomerado Barros – participe dessa luta. Quem puder vá ao Hélio Moreira e mostre aos que se consideram donos de Maringá que ainda existe vida inteligente por aqui.