Coração Puro, com Priscilla Mazzo

Com Baby do Brasil na Expocristã

Desde a pré-adolescência, Priscilla Mazzo levava jeito com crianças, coisa de só quem já nasceu criança. Na adolescência, deu aulas em escolinhas durante cultos e montou, com uma amiga, um grupo de coreografia. Aos 17 anos, entretanto, Priscilla deu um tempo no ministério para ir atrás de dois sonhos: formar-se em arquitetura e se casar com um grande amor.

Cinco anos depois, ela estava casada com Joel Guerreiro  e já era arquiteta pela UEM, com TCC sobre um alojamento religioso. Foi quando Deus de novo a chamou para sua missão de evangelismo infantil. Tudo aconteceu quando foi convidada para atuar numa peça teatral, em que seria a igreja. Ela se vestiu de noiva, pois a igreja é a noiva do Senhor.

Foi quando Priscilla, então, ignorou a sua fala e se quebrantou perante toda a comunidade evangélica.

Aceitando um desafio proposto por sua mãe, ela se preparou para ser apresentadora de um programa evangélico infantil. De fato, ela já evangelizava em sua própria casa, reunindo as crianças do condomínio para tomar lanche, ver DVDs e falar de Jesus.

Fez até curso, bem como uma pesquisa aprofundada sobre o assunto. As gravações começaram em novembro de 2007 e o programa Coração Puro foi ao ar pela primeira vez em fevereiro de 2008.

As pedras no caminho não cessaram. Ao completar um ano de programa, ela se perguntava se devia continuar, levando em conta também a “questão financeira”. E mais uma vez Deus se manisfestou em sua vida. Foi o Próprio que lhe falou em seu coração para que gravasse um CD e um DVD. E Ele mesmo providenciou um incremento de 40% em seu patrocínio.

Nasciam sucessos como “Tenho que obedecer” e “Nada, nada, nadinha de nada”:

Assim o programa continuou até hoje. O segundo CD já veio. Até uma bíblia infantil. Priscilla leva além, diariamente, a ética protestante e o espírito do capitalismo.

Vi o bloco da gincana bíblica, quando dois meninos e duas meninas eram sorteados entre a platéia para derrubar pinos de plástico com uma bola. Quem derrubasse mais, ganhava o direito de responder uma pergunta.

Uma das questões era se as crianças deveriam ficar perto de alguém fumando maconha. E duas alternativas: a) sim, não há problema; e b) não, pois a fumaça é tóxica e faz mal.

Os meninos escolheram “b”.

Programa Coração Puro, com Priscilla Mazzo
RTV, canal 10, 14h30, de segunda a sexta
Contato: (44) 3026 2037 e 8423 5477

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Novo blog: Rigão

Apareceu ontem um novo blog em Maringá — Rigão, na linha de notícias que culminou com nossa expulsão de um conhecido portal, já disparou contra o prefeito e as caminhonetes.

Lembra o antigo Satirigon, que durou pouco, só que é bem escrito.

Esperamos que prospere.

 

Negrão Sorriso: os deuses devem estar loucos

Apesar de Negrão Sorriso ter anunciado seus personagens ainda no começo de 2010, só dois anos depois — hoje — pude ver sua primeira atuação como Selvagem.

O narrador, com a voz anasalada de quem faz telemensagens, descreve o modo de vida do selvagem na selva intocada, que jamais tivera contato com um ser humano civilizado, enquanto Jones Dark, vestido de apache, trepa em árvores e bebe água — de verdade! — de um córrego, deitado no chão. Jonesdarquizices.

Quando foi dito que ele, ao caçar, usava um líquido calmante na flecha e pedia perdão aos animais, já matei a referência. Na tomada seguinte, uma garrafa PET de água mineral cai na cabeça de Jones Dark, que entende ser um presente dos deuses.

É uma cópia do filme “Os Deuses Devem Estar Loucos”, de 1981. No original, uma garrafa de vidro de coca-cola jogada de um avião cai no meio de uma tribo de bosquímanos na boate no deserto de Kalahari. O pequeno Xi é encarregado de ir até o fim do mundo e devolver o presente.

Não continuarei o post porque o quadro foi interrompido abruptamente, como sempre

Próximo eclipse total em Maringá será em 2113

Não se trata de adivinhação ou previsão do Professor Jucelino. Maringá presenciará,  em pouco mais de cem anos, um eclipse solar total.

A NASA tem uma página muito interessante: o World Atlas of Solar Eclipse Paths, que mostra mapas detalhados, para cada dois decênios, desde 2000 a.C. até 3000 d.C. para todos os eclipses solares da Terra.

Esquema "didático" da Wikipédia mostra como funcionam os eclipses total, anular e parcial do Sol

Foi assim que descobrimos que aconteceram eclipses solares de grande magnitude nos céus maringaenses, desde que o Brasil foi “descoberto” — em 23 set. 1661 (anular, que pôde ser visto de todo o atual território do Paraná) e em 15 mar. 1839 (total). Desconsideramos eclipses solares parciais.

Pouco após a fundação de Maringá, quando a cidade ainda era um núcleo urbano primitivo, foi registrado um eclipse total, em 20 de maio de 1947.

O próximo acontecerá por aqui em 13 de junho de 2113. Maringá estará com 166 anos. E você e eu estaremos mortos há muito tempo. O fenômeno só deve se repetir em 9 de dezembro de 2569. 622 anos depois da visão de Kazumi Taguchi.

Para testemunhar um dos espetáculos mais impressionantes e raros da Terra, só viajando: nos próximos 30 anos, não acontecerão eclipses totais no Brasil. Fica a dica de turismo especializado para Willy Taguchi: é uma viagem que eu pretendo fazer algum dia!

Eclipse total do coração

Willy Taguchi continua a transcrição dos diários de seu pai, Kazumi Taguchi, morto no último dia 7. Os escritos estão em japonês arcaico e foi preciso o trabalho de um tradutor de São Paulo.

Kazumi escreveu sobre um eclipe total do Sol em Maringá em 20 de maio de 1947.

Dia 20 de Maio de 1947 (Terça-feira) Tempo = Sol
Hoje teve eclipse solar total. Às 09h30min, começou o eclipse solar. Eu assisti pela primeira vez na minha vida e a família toda assistiu o fenômeno da natureza. Depois que terminou o eclipse solar, eu fui trabalhar na roça até a tarde. Antes de anoitecer, fui cortar a cana de açúcar para dar ao gado.

Trata-se do famoso eclipse registrado também pelos irmãos Villas-Bôas:

[radiotransmissão:] 8:50, primeiros sinais eclipse solar PT Aproximadamente 150 índios camaiurás e trumaís acampados nosso lado tornam-se apreensivos medida luz do sol perde intensidade PT
[…]
Daí em diante começa a confusão. Gritos, choros, discursos, correrias, flechas com fogo para acender o sol. Mulheres e crianças todas brancas de cinza e provocando vômito com pedaços de pau. Alimentos jogados no rio. Pálidos, os índios corriam e gritavam que o sol ia morrer. Flechas e flechas untadas de resina e incendiadas foram lançadas para acender o sol. Um grande quadro de aflição.

Não foram são os índios que se apavoraram. Quem não sabia, também pensou que o mundo fosse acabar. Mas o eclipse foi amplamente documentado.

Há uma página no site da Nasa sobre o evento. Ali, é possível ver que Maringá está bem próxima à linha central do caminho do eclipse. Segundo os cálculos, o eclipse aqui durou 3 minutos e 16 segundos. Há também uma nota na revista Nature, publicada na época, dois artigos de Heráclito Tavares (aqui e aqui), documentos do Arquivo Público Mineiro. O diário de Kazumi se junta a vários registros de uns dos fenômenos mais fascinantes que a Humanidade regularmente testemunha.

Saindo do ostracismo: Bob & Robison

“Condenado por amor” é a primeira faixa do primeiro disco de Bob e Robison.

A dupla, que começou a carreira em 1983, fez relativo sucesso na década de 1980 com os falsetes, mas deixou a música no auge do sucesso, chegando até a recusar convite para se apresentar no Sabadão Sertanejo (!). Seja lá o for, depois de quase duas décadas de ostracismo, já de cabelos brancos, eles voltaram, sem alongamento:

Dois discos — um sertanejo, resgatando sucessos do passado, e outro, gospel — estão disponíveis para download em seu site oficial. Não paga nada!

É a vitória da melhor idade.

Veja também: Rony e Robson.

I’ll never be your monkey wrench

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Então fomos conferir a Grunge Night, com as bandas Virginia Room e Present Tense, que tocariam Foo Fighters e Pearl Jam.

Era sexta-feira treze e eu cruzei com um gato preto.

A casa, que funciona no endereço do extinto Dezessete, antigo restaurante e lounge do ex-jogador de vôlei Ricardinho, lotou rápido. Foi assim que vários conhecidos, que já conheciam as bandas, esperaram mesmo sob a chuva, do lado de fora, por quase duas horas — fato comemorado no Facebook como comprovação do sucesso da noite.

Sucesso na esteira do anúncio de 50% de desconto para quem chegasse cedo, claro; mas a casa, inaugurada há poucos meses, tem capacidade para apenas 350 pessoas. Como proceder, então?

Até os cartões, à guisa de comanda, não foram suficientes: tiveram de tomar emprestados de uma casa noturna vizinha, na Avenida Curitiba.

Em certa altura, um dos seguranças — que mais tarde seria apresentado como gerente — gritou que apenas 50 pessoas entrariam a partir dali, já sem o bônus. Ok.

Apesar de já estar na fila já bem antes das 0h30, conseguimos entrar depois das 1h40. Pelo menos, os shows ainda não haviam começado.

E, apesar de ter sido anunciada a entrada de 20 reais para os garotos e 10 reais para as meninas, cobraram 40 reais — e já sem a distinção de gênero. Bem além do que fora divulgado.

Uma funcionária, questionada sobre o preço, de maneira bem ríspida, disse que era “regra da casa”. Se eu entrei, é porque concordava. Ok. Perguntamos seu nome, que se negou a dizer. Foi então que o gerente — que trabalhava como segurança — apareceu, revelou o nome da moça, esclareceu que não poderia fazer nada, pediu desculpas e gentilmente nos colocou para fora. A finesse de todo segurança, pago para garantir a razão dos donos e apaziguar qualquer problema.

Flávio, leitor do blog e amigo, formado em Educação Física, enquanto dividia a fila — e a chuva –, lembrava de um ex-professor que dizia que, nas regras de um jogo, “o que não é proibido, é permitido”.

Ele também pagou além do que pretendia, antes de aprender as regras da casa.

Ainda bem que podemos escolher onde jogar. Ali, nunca mais.

Os shows foram bons como sabíamos que seria. A Virginia Room, que nada tem a ver com a história, vai tocar novamente no mesmo local na próxima sexta. A Present Tense, apesar de prejudicada por um cabo de microfone teimoso do vocalista Nelson Cancini, que insistia em não funcionar, conseguiu improvisar e tirar de letra. Ótimos, como sempre. Rock limpo e honesto, como tudo deveria ser. Mas não é.

Conheça Renê Meyring

Foto: divulgação

Renê Meyring, grafiteiro profissional, quer revitalizar os muros da via expressa.

Cabe lembrar que, pela avenida, mal circulam pessoas a pé, bicicletas e linhas de ônibus. Ainda bem que não pretendem, ainda, revitalizar o túnel do Novo Centro.

A ambição, antes de ser realizada, depende de uma série de fatores, desde achar a quem pertence o muro a firmar parceria com um mecenas que tope bancar o material. Mas fundamental mesmo é deixar clara a diferença entre grafite e pichação: “Pichação qualquer pessoa sem técnica pode fazer, é possível escrever nomes, mensagens, mas não tem conceito visual algum, enquanto o grafite é algo mais elaborado, tem um projeto, um conceito”, informa o artista a Ana Verzola em O Diário.

Renê tem um portifolio em um blog, em que é possível conferir um pouco de sua arte e de seus conceitos, como o homen livro e o baterista cozinheiro batendo cabeças. Ele explica: “cabeça é livro aberto, da sua garganta as pagina do saber as ornamenta, e na sua mão a sabedoria humana relatada em palavras e letras”‘; “a sociedade devora seus cerebros e martela com proprio garfo e colher que comem sua liberdade de expressao juntamente com sua criatividade transformando num zumbi”.

Arte, só para poucos
“O espaço será destinado às pessoas que já tenham um nome, que apareçam com uma proposta legal”. Grafiteiros iniciantes de Maringá, antes de tirar o registro de nascimento de artistas de rua, por enquanto é melhor deixar o spray em casa.

Lei que proíbe flanelinhas já existe

Edson Lima, com conhecimento de causa, lembra que a lei que proíbe flanelinhas em Maringá já existe. De fato.

A lei 4566/97 foi promulgada há exatos 14 anos, em 9 de janeiro de 1998. No mesmo ano, porém, em 14 de agosto, a lei 4653/98 previa a concessão para a exploração de estacionamento em vias e logradouros públicos.

Flanelinhas não podiam; parquímetros, sim. Dez anos depois do fim da Tecpark em Maringá, os maringaenses que agora falam em “fim do uso privado do espaço público” parecem não se lembrar do que isso efetivamente quer dizer.

Ismael Santos na Terra Santa

Eis Ismael Santos no Monte das Oliveiras, de óculos escuros e cabelos cuidadosamente penteados para trás. A pose é sóbria e o traje é elegante. Ao fundo, a cidade de Jerusalém; inadvertidamente (ou não) Ismael Santos tampou o Domo da Rocha, lugar sagrado para os muçulmanos. "Jesus, porém, foi para o Monte das Oliveiras. E pela manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava" -- João 8:1-2 // Foto: acervo pessoal

Ismael Santos na Terra Santa

Eis Ismael Santos no Monte Sinai, lugar em que Moisés recebeu do próprio Senhor as Tábuas da Lei, respeitadas por todo cristão e reproduzidas em Maringá em frente à agência central dos Correios. "Face a face o Senhor falou conosco no monte, do meio do fogo." -- Deuteronômio 5:4 // Foto: acervo pessoal

Kazumi Taguchi (1928-2012)

Willy Taguchi informa o falecimento de seu pai, Kazumi Taguchi, neste sábado, em Toyohashi, no Japão, onde a família tem uma filial de sua agência de turismo. O corpo de Kazumi será cremado.

Kazumi chegou ao Brasil com apenas um ano de idade, em 1929, junto dos irmãos maiores — Torao, Yoshinori e Miyeko — e dos pais Mitsuzo e Oei, todos vindos de Okayama.

Neste link é possível ver o registro de chegada da família de Kazumi quando de sua chegada em Santos, em 12 de agosto de 1929, a bordo do vapor Manila Maru.

Após permanecerem em Araçatuba, chegaram à região de Maringá em 1939. Mitsuzo adquiriu 20 alqueires de mata virgem, instalando-se no atual Jardim Oásis. Mais tarde, a família se mudaria para uma propriedade na rua que hoje leva o nome do patriarca.

Uma nota publicada hoje por Willy, resgatada do diário do jovem Kazumi, revela o que ele fez em 10 de maio de 1947, data de fundação de Maringá. Era sábado. Kazumi acordou às 8h, almoçou e buscou mudas de laranja-limão para plantar. Ao voltar, seu irmão emprestou a carroça para levar arroz em casca dos colonos até a cidade de Maringá para descascar, cobrando frete, trazendo sacaria e folhas de palmito para fazer cobertura de paiol de cereais. Kazumi também fazia anotações sobre o tempo, costume de quem lida com a terra. Naquele dia, ele registrou que havia chovido à tarde.

Ao contar os detalhes de mais um dia de trabalho, Kazumi não sabia a importância daquele sábado histórico e de qual seria sua importância na cidade que crescia.

Já naturalizado, ele seria vereador por sete legislaturas, ao longo de mais três décadas, entre 1960 e 1992. Ao longo destes 32 anos, viu a morte de seus pais (em 1962 e 1964) e de seus irmãos mais velhos (em 1988 e 1989). Também diplomou seu filho Willy como vice-prefeito de Maringá, em 1989.

Ao juntar-se aos que já foram, Kazumi deixa saudade aos que ficam. Mais do que isso, o exemplo do trabalho e do pioneirismo. À família, nossas respeitosas condolências.

Adivinha, doutor, quem tá de volta na praça?

É do arquiteto Claudinei José Vecchi, ex-vereador, ex-secretário municipal e ex-CC1, o antigo projeto da Praça da Catedral, de 1982. 30 anos depois, a Catedral continua rendendo louros a Vecchi. Além de uma nova placa com seu nome, só de honorários, que dispensaram licitação, serão R$ 330 mil reais. É o que informa Murilo Gatti e o Rigon.

Há trés décadas, também assinaram o projeto, com Vecchi, os engenheiros Mário Okada e José Manoel Martin Hernandes Filho. As obras foram realizadas pela Construtora Entecco.

Curiosidade: a Praça, até então chamada Praça Cássio Vidigal, teve seu nome alterado por força de lei. Para compensar, foi prevista a colocação de um busto do pioneiro, da CMNP um dos responsáveis para colocar na prática.

A placa de inauguração revela o que parece ser os logotipos das administrações de João Paulino e Sincler Sambatti, com suas iniciais estilizadas.