D. Jaime e Pinga Fogo: o legado do conservadorismo

Impossível falar da história de Maringá sem citar os nomes de Dom Jaime Luiz Coelho (1916-2013) e de Benedito Pinga Fogo de Oliveira (1951-2014). Ambos eram exímios comunicadores.

Além de comandar a arquidiocese local com pulso firme por quatro décadas, D. Jaime também se aventurou na mídia. Fundou um dos primeiros jornais da cidade e a tv católica Terceiro Milênio. Também tinha espaço cativo todas as manhãs na rede afiliada da Globo. Pinga Fogo, sujeito de origem humilde, começou no rádio, criou um estilo próprio no jornalismo policial televiso e construiu o seu próprio império regional de comunicação. Falando do jeito que o povo gosta, como ele mesmo gostava de dizer, soube como ninguém usar os meios de comunicação para promover ações assistencialistas.

D. Jaime e Pinga Fogo, cada um ao seu tempo, sempre estiveram ao lado dos interesses das elites. O arcebispo de Maringá apoiou o golpe militar de 1964. Em vários discursos, D. Jaime acusava o governo João Goulart, que estava tentando implantar as chamadas reformas de base, de promover a desordem. Segundo Gilson Aguiar, “outra de suas ações foi a criação da FAP (Frente Agrária Paranaense) para enfrentar a Liga Camponesa liderada por Francisco Julião. Dom Jaime era um anticomunista”.

Pinga Fogo batia no peito ao afirmar que decidia eleições em favor do grupo político que o sustentava: a família Barros. O seu programa na TV Maringá foi multado várias vezes em períodos eleitorais. Era sócio de Ricardo Barros na concessão da rádio Nova Ingá. Em suas falas, Pinga Fogo sempre menosprezou movimentos contestatórios ao status quo. Recentemente, o apresentador Beija-Flor, que estava substituindo Pinga Fogo durante a internação, disse: “Quem critica Maringá deve morar em outra cidade!”. Aprendeu direitinho com o mestre.

Maringá chega aos 67 anos propagandeando desenvolvimento econômico e progresso calcado no cimento. Uma cidade que despreza o transporte urbano em prol do individual. Em que a especulação imobiliária alcança níveis alarmantes, expulsando famílias de menor poder aquisitivo para longe daqui. A mentalidade provinciana que acredita fielmente na ideia do self-made man, na criminalização da juventude, na restrição dos espaços públicos e na patética ilusão da “ditadura de esquerda que toma conta do país”.

Esses são alguns dos legados dessas duas figuras emblemáticas para a construção ideológica e política da sociedade maringaense. Provavelmente perpassarão gerações.

D. Jaime e Pinga Fogo… que Deus os tenham.

 

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4 respostas em “D. Jaime e Pinga Fogo: o legado do conservadorismo

  1. Pingback: D. Jaime e Pinga Fogo: o legado do conservadorismo | Diário Maringá

  2. Só uma dica, Rodrigo, para que você melhore ainda mais as informações de seu texto: D. Jaime não criou o primeiro jornal, que foi o O Jornal de Maringá, mas sim a Folha do Norte do Paraná. Outra informação é que a Folha não foi o mesmo jornal vendido a Frank Silva (O Diário, fundado por Joaquim Dutra e sócios).
    Um abraço

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