Até quando?

Um grave acidente vitimou Moisés Aparecido de Oliveira, 50, servidor público municipal de Maringá há 30 anos, na manhã de domingo (17). Casado e pai de duas crianças, era motorista do caminhão de lixo. Diante da equipe reduzida de coletores, deixou o volante para auxiliar os colegas na árdua e nobre tarefa de manter a cidade limpa. Morreu atropelado pelo próprio caminhão. 

A Prefeitura de Maringá trata o caso como uma fatalidade. Não é bem assim. O ato de descer do caminhão para ajudar os companheiros nessa e em outras ocasiões caracteriza desvio de função. O estatuto do servidor proíbe tal conduta. A secretaria responsável deveria estar atenta para isso, porém, com o escasso quadro de funcionários, é provável que as chefias incentivem quem trabalha na coleta a se desdobrar para cumprir o itinerário.

Há poucas semanas atrás, dois ônibus da TCCC colidiram e quinze passageiros ficaram feridos. Testemunhas relataram que um dos motoristas se distraiu ao dirigir e dar o troco ao mesmo tempo, provocando a batida. A figura do cobrador foi extinta do transporte coletivo de Maringá durante o primeiro mandato de Silvio Barros II.

A mudança continua e, com a morte de Moisés, constatamos que a vida dos trabalhadores que impulsionam as engrenagens da cidade pouco valem para a turma do azul. A maior preocupação do prefeito Roberto Pupin e do chefe Ricardo Barros é completar a equipe de 515 cargos de confiança criados para agraciar os aliados políticos. 

Pupin sequer teve o ato de grandeza de comparecer ao velório de Moisés e prestar solidariedade à família e colegas de trabalho. Não seguiu o exemplo da presidenta Dilma Rousseff, que cancelou compromisso internacional para visitar Santa Maria após a tragédia da boate. O ato de compaixão não pode ser confundido com oportunismo político. Governante que se preze deve ser racional, mas sem abandonar o humanismo.

Quantas “fatalidades” precisarão acontecer para que se escancare a ganância e o descaso dos governantes e empresas locais? Acidentes podem ser evitados e vidas salvas se o bom senso, o respeito às regras empregatícias e a valorização dos trabalhadores se sobreporem à busca surreal pelo lucro e interesses mesquinhos dos oligarcas de plantão.

Velório do servidor público municipal Moisés Aparecido de Oliveira, morto executando uma função que não era de sua competência. Vítima do descaso da administração municipal. Foto: BLOG DO SISMMAR.

Velório do servidor público municipal Moisés Aparecido de Oliveira, morto executando uma função que não era de sua competência. Vítima do descaso da administração municipal. O prefeito e Vagner Mussio, titular da SEMUSP, ignoraram o ato fúnebre. Foto: BLOG DO SISMMAR.

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