Meu sono é pesado

Varrendo as folhas de outono na calçada em frente de casa — já é inverno –, de volta à Maringá depois de muito tempo, sou interrompido pelo novo vizinho, que mora do outro lado da rua. Da outra calçada, em frente de sua casa, ele pergunta se eu estava em casa à noite. Respondo afirmativamente. Comunica que foi assaltado na noite anterior ali mesmo, quando chegava do trabalho, às quatro da manhã. Tentou reagir, mas deram um tiro que acertou sua janela. Levaram seu salário, um celular, que era de namorada, as pratas de Bali. Fugiram numa moto vermelha.

Minha mãe contou depois que ouviu tudo, mas ficou com muito medo. Um barulho alto de moto durante um tempo, depois gritos de socorro. Um vizinho, que também ouviu, ligou para a Polícia e tentou acalmá-lo. Como os bandidos também levaram a chave, ele teve de arrombar a porta para entrar.

Isso explica o vizinho que lhe entregava uma fechadura (!), colocando fim em nossa conversa.

Penso que um dos assaltantes desceu da moto e o abordou enquanto o outro fazia barulho e jogava a luz do farol para assustá-lo. A ação foi rápida e certamente eles já o seguiam. Provavelmente também sabiam que ele estava com o dinheiro.

E eu, que dormia tranquilo, sonhando uma cidade que já não existe mais, não ouvi nada, como se fechasse os olhos e ouvidos para essa triste realidade.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s