Sempre nós

Clóvis Melo, editor de O Diário, comenta episódio que envolveu o blog nesta semana (pela segunda semana consecutiva) no texto “O silêncio dos hipócritas”. Está na edição impressa de hoje. Pensei em colá-lo inteiro aqui, mas isso vai incentivar o leitor a comprar o jornal:

… punir a expressão de um pensamento não é uma forma de cercear sua manifestação? Que liberdade de expressão é essa, então? Uma postagem feita no blog Maringá, Maringá (sempre eles!) levou a Câmara Municipal a solicitar a retirada do texto do ar, acusando-o de racista. Por certo que o post tinha um gosto pra lá de duvidoso, mexia com uma hipótese antiga e absurda relacionada ao tamanho da genitália dos orientais. Desnecessário, para dizer o mínimo. Mas daí a dizer que era um exemplo de racismo, entendo que é exagerar demais. Entretanto, como dizia Voltaire, defendo até a morte o direito do advogado de expressar esse pensamento. Talvez ele esteja certo e eu, errado. Ou vice-versa o contrário, como bricam por aí. Mas se ninguém falar nada, como sabê-lo? Se alguém quer falar sobre a genitália alheia e passar ridículo com isso, devemos permitir (assim como deve ser permitida a publicação do pensamento diverso daquele) ou aplicar um cala-boca jurídico qualquer? Não é melhor tentarmos entender as origens de certos posicionamentos do que simplesmente dizer que eles estão errados, e pronto? E se descobrirmos (apenas uma hipótese!) que aqueles que achávamos errados estão certos (e vice-versa o contrário, de novo)?

Meus amigos têm autonomia para postar aqui e o Rodrigo aceitou um texto enviado pelo Wil, que também é meu amigo. Não entro no mérito do texto, só vi depois que foi publicado, mas que bom que ele pôde ser base para uma discussão bem acalorada, no final.

Só não perceberam que foi um descendente de japoneses que criou o blog acusado de racismo contra… japoneses. Aquele que, desde pequeno, aprendeu a conviver com piadas um tanto sem-graça sobre aspectos anatômicos de sua ascendência, é certo, mas que já estão tão arraigadas que nem vale a pena discutir — apenas sorrir e responder com outras ainda piores: também sou descendente de italianos, ao menos na metade de baixo do corpo, tipo Rocco Siffredi.

Também era cumprimentado por “arigatô, xixi e cocô” na escola. Outros puxavam o canto dos olhos com os indicadores e falavam nos senhores  Fujiro Nakombi,  Takakara Nomuro e por aí vai. Gozações feitas pelas mesmas pessoas que reconhecem a competência, a ponderação e a disciplina dos japoneses e são loucos pelos japinhas, pela beleza exótica, pela culinária, pela cultura etc.

Ora, mas quem disse que todos os japoneses são assim? Todos aceitam os elogios e agradecem, mas eles também são uma generalização. Ninguém reclama porque é uma generalização que os enobrece. Aí é fácil, hein! Relevemos todas as generalizações que, afinal, sabemos que não são verdade.

Como diz o herói Tatá Cabral: “Sorria! Leve a vida na esportiva!”

punir a expressão de um pensamento não é uma forma de cercear sua manifestação? Que liberdade de expressão é essa, então? Uma postagem feita no blog Maringá, Maringá (sempre eles!) levou a Câmara Municipal a solicitar a retirada do texto do ar, acusando-o de racista. Por certo que o post tinha um gosto pra lá de duvidoso, mexia com uma hipótese antiga e absurda relacionada ao tamanho da genitália dos orientais. Desnecessário, para dizer o mínimo. Mas daí a dizer que era um exemplo de racismo, entendo que é exagerar demais. Entretanto, como dizia Voltaire, defendo até a morte o direito do advogado de expressar esse pensamento. Talvez ele esteja certo e eu, errado. Ou vice-versa o contrário, como bricam por aí. Mas se ninguém falar nada, como sabê-lo? Se alguém quer falar sobre a genitália alheia e passar ridículo com isso, devemos permitir (assim como deve ser permitida a publicação do pensamento diverso daquele) ou aplicar um cala-boca jurídico qualquer? Não é melhor tentarmos entender as origens de certos posicionamentos do que simplesmente dizer que eles estão errados, e pronto? E se descobrirmos (apenas uma hipótese!) que aqueles que achávamos errados estão certos (e vice-versa o contrário, de novo)?
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