Lembranças da Expoingá

Era a 26ª edição do evento e, que me lembre, foi a primeira vez que pisei numa Expoingá. Saímos de casa, na Rua Bogotá, com os vizinhos. Naquele ano, vimos o show do Molejo e de Zezé di Camargo e Luciano. Nas duas noites, voltamos mais cedo porque minha irmã, com quatro anos, não suportava o barulho e tanta gente junta. Numa dessas, saí correndo quando percebi que alguns bois haviam escapado do cercado e estavam andando pelo parque! Numa dessas, vi a Tia Mariza, que me dera aulas na primeira série, no Adventista. Por onde será que ela anda!

Um pouco maior, sempre sem grana, eu ia a apenas uma vez na Expoingá. Passava, então, o dia todo andando por ali, para fazer valer cada centavo do ingresso. A mãe, generosa, dava cinquentão pra passar o dia. Tentava ficar até o show ou enquanto suportasse o frio das noites de maio, que sempre nos pegava de surpresa — e ainda pega.

Durante muito tempo morei perto do Parque de Exposições. Pouco antes do início do evento, pintavam de branco o meio-fio de todas as ruas e avenidas principais do entorno. Os moradores faziam de seus quintais estacionamentos, uma resistência ao preço abusivo praticado oficialmente dentro do Parque. Quando algum parente queria ir ao evento, oferecíamos nossa garagem.

Ao longo de vários anos, no Pavilhão Azul, a Polícia Rodoviária mantinha um estande no qual passava um vídeo non-stop com imagens de acidentes fatais nas estradas. Impressionavam sobretudo as imagens de desastres com ônibus, já que eu era um pequeno busólogo — aliás, adorava as exposições da Garcia, do lado de fora, com os últimos ônibus e a Catita. Era legal também encontrar o pessoal da imprensa, como a Silvia Letícia ou o Ismael Kuliack, do programa “Roda de Chimarrão”.

Tinha medo de passar nos barracões com animais — um corredor longo com animais dos lados. Um com porcos, outros com bois e vacas, e até galos e pintinhos, sempre com um cheiro muito característico. Havia também uma casa feita de madeira com um labirinto dentro, chamando a atenção para a questão ambiental — inclusive com uma casa de favela em tamanho real, cheia de lixo, com um córrego sujo passando do lado (!).

O ingresso do parque de diversões era caro. 3 reais dava direito a brincar num brinquedo. Os preferidos da garotada eram o Kamikaze, o Evolution, a Montanha-Russa, o Crazy Dance. Tudo construído pelos famigerados Ita Center Park e Moreno’s Park, que se revezavam a cada ano. O trem-fantasma não colocava medo em ninguém, ao contrário da Monga, a Mulher Macaca. Para as crianças, as opções iam desde o inofensivo carrossel até o violento bate-bate. As barraquinhas eram ótimas, verdadeiras máquinas de ganhar dinheiro a troco de prêmios de gosto duvidoso, como ursos de pelúcia gigantes. Uma delas, cujo jogo consistia em conseguir acertar argolas em alvos à distância, tinha entre os prêmios uma motocicleta que ninguém jamais ganhou! Havia também uma escada maluca, que ninguém conseguia subir. O responsável por ela incentivava o público a participar. Quem conseguisse vencê-la ganhava 50 reais.

A culinária local também estava bem representada na Expoingá. O visitante via montes de calabresa nas chapas, para os cachorrões, e provava da autêntica cocada maringaense, um meio termo entre a branca e a preta. Tudo muito pesado, com muita gordura trans — que alguns insistem em chamar de “sustança” –, como recomenda a etiqueta da região.

Os shows começavam sempre com atraso. Se é verdade que morreu alguém no show do César Menotti e Fabiano, nem sei. Mas, ao menos uma vez por ano — como em algum show do Bruno e Marrone — alguém morria na multidão. Ao menos em boatos. E, de lei, a Banda Herança sempre fazia o show de encerramento. Aliás, a programação musical é, obrigatoriamente, alvo de críticas, embora a organização do evento tenha trazido a banda escocesa Nazareth em 2008 e tenha procurado diversificar as atrações.

Depois do show, era hora de levar várias maçãs do amor pra casa, vendidas a preço muito baixo, chegar e casa e descansar os pés. Afinal, a tradição é assistir os shows em pé, invadindo o espaço da arena de rodeio e dar várias voltas pelo Parque de Exposições, só para fazer hora, ver e ser visto, encontrar algum conhecido ou pegar mulher linda. Se sobrasse dinheiro, talvez voltar no dia seguinte, para fazer a mesma coisa! Afinal, é um momento único para a cultura de nossa cidade, já percebia o nosso vereador Wellington Andrade, esse incompreendido.

 

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5 respostas em “Lembranças da Expoingá

  1. Lembro do show do Molejo. Cheguei em casa com dor de ouvido.

    Bons tempos.

  2. não sei como far para encontrar o nome ou telefone ou a marca,da maquina de linha que estava lá queria comprar uma e não lembro nem o nome vcs pode me ajudar

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