Skarlone, o mágico

Estava na 3ª série e toda a escola se reuniu no salão da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na Vila Morangueira, para a apresentação do mágico Skarlone.

Qualquer evento nesse recinto — como a apresentação de um grupo de teatro de Xambrê, no ano anterior, com um tiro de festim disparado por um dos atores — significava que os alunos deviam se ausentar das aulas para ajudar a dispor centenas de cadeiras de plástico brancas em fileiras. Trabalho não-remunerado, mas divertido.

O mágico ficou alguns dias na escola, cercados de alunos, que pediam autógrafos — ou “ortógrafos”, como escreveu a Janaína em seu caderno. “Me dá um ortógrafo?”. Eu também ganhei o meu, perdido com o tempo. O mais marcante, porém, foi receber metade de um Bis mordido por ele!

Ele gostava de repetir que aparecera no Planeta Xuxa. Também trabalhara com os Trapalhões. Michele, uma colega de classe que tinha 17 anos (eu tinha 8), até levou uma foto de seu pai com o Dedé, ou o Didi, ou o Mussum, ou o Zacarias. Todos conheciam o quarteto porque até o ano anterior a Globo exibia o programa na hora do almoço, e os filmes ainda passavam na Sessão da Tarde.

Depois da apresentação do mágico, a professora Ezilda comentou com os alunos, na sala de aula, que desvendara vários truques. Num deles, Skarlone usava uma pequena guilhotina para cortar uma cenoura em duas; depois, chamava alguém para colocar o dedo ali (talvez tenha sido o Rafael Pavan). Magicamente, o dedo saía intacto. Segundo a professora, enquanto o ilusionista convidava alguém para participar do número, a assistente regulava alguma coisa na guilhotina. Porém, não chegamos a um consenso sobre como ele conseguira fazer sair água de uma folha de jornal dobrada.

Eram os tempos do Mister M, em que fazer mágica ficava cada vez mais difícil. Há algum tempo, vi um cartaz do Skarlone em Vinhedo (SP). Ano passad, ele participou da novela Vende-se um Véu de Noiva, no SBT, como um pescador, e esteve na abertura da novela Ribeirão do Tempo, da Record, cortando uma árvore (!).

Skarlone reside atualmente em Campinas.

Para estar em forma, não é preciso mágica

 

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Mágico deixa grandes cidades e encontra sucesso no interior

Marcos Zanatta (Folha de Londrina, 17 de outubro de 1999)
Depois de trabalhar com os Trapalhões e a Xuxa, participando de gravações de programas especiais, o mágico Skarlone está trocando os grandes centros por Maringá. Ele ganhou projeção depois de se profissionalizar, há 11 anos, e participar de gravações com grandes nomes da televisão. ‘‘Fui contratado por um shopping de Maringá para 15 dias de apresentações e gostei da cidade’’, revela. Por enquanto, Skarlone ainda está no eixo Maringá, Campinas e São Paulo. ‘‘Mas quero me instalar na região definitivamente’’, diz.

A primeira profissão de Skarlone foi a de palhaço, chegando a participar de especiais da Rede Globo como o Criança Esperança de 1986. ‘‘Fazia mágica por hobby’’, conta. Depois de conseguir entrar na roda dos grandes artistas, decidiu aprender mais e entrou para a Escola Nacional de Circos, no Rio de Janeiro.

‘‘A mágica atrai todo mundo e é uma arma de marketing poderosa’’, observa. Skarlone diz que depois de entrar na profissão, passou a frequentar congressos e feiras voltadas aos mágicos, onde aprendeu a maior parte dos números que apresenta.

A maior parte dos truques, conta, são criados no Laboratório de Efeitos Mágicos, que funciona em Belo Horizonte. A partir da divulgação, cada mágico faz suas adaptações. ‘‘Procura fazer os números de forma mais diferente possível, dando mais mistério à mágica’’, explica.

Ele revela que apesar de ter poucos equipamentos, até por uma questão de facilitar a locomoção, não se limita aos números de palco. ‘‘Faço sumir grandes animais e até veículos se for preciso’’, afirma. Skarlone lembra que depois do sorteio de um shopping de São Paulo, fez o carro sorteado desaparecer. ‘‘O pessoal gosta muito, até o dono do carro’’, garante.

Ao contrário da grande maioria dos mágicos e ilusionistas, Skarlone acha que Mister M, que foi moda no Brasil até pouco tempo, acabou divulgando a arte. ‘‘De forma confusa’’, esclarece. Ele garante que apesar de Mister M usar mágicas atuais, fez a revelação de truques antigos. ‘‘Tudo evolui e os truques também’’, ressalta.

Para se apresentar em público, explica, é preciso também ter criatividade. Muitas pessoas, lembra Skarlone, sabem fazer um truque ou outro, mas não atrair a atenção do público. Ele diz ainda que o mágico ‘‘precisa’’ também saber vender. ‘‘Eu mesmo tenho que vender o show’’, conta. O preço varia de R$ 500,00 a R$ 3 mil a hora, dependendo das mágicas que serão apresentadas.

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3 respostas em “Skarlone, o mágico

  1. eu quero aprender umas magicas,p supreender uma garota, sera q é posivel

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