Aqui e ali: moradia estudantil

Em novembro passado, foi lançada a pedra fundamental Casa do Estudante na UEM, iniciando a realização de uma das maiores reivindicações do movimento estudantil. No Brasil, a vitória se insere no contexto de diversas universidades brasileiras que adotaram o trocadilho “Eu quero uma casa no campus” para levantar essa bandeira. Na Estadual de Maringá, a ideia de uma residência para os universitários vinha sendo gestada desde o final da década de 1980.

Fonte: Reprodução/Correio Popular

Nessa mesma época surgiu o movimento TABA, que ocupou salas de aula na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) durante dois anos. No interior paulista, entretanto, as obras da moradia universitária foram iniciadas em 1989 (talvez a prova de que as ocupações trazem resultados mais concretos do que o simples diálogo?). Em dezembro, pouco antes da abertura do processo licitatório para a Casa do Estudante maringaense, este blogueiro participava da festa em comemoração dos 20 anos da Moradia Estudantil da Unicamp.

A Moradia acolhe gratuitamente estudantes que não possuem — comprovadamente, por rigoroso processo seletivo — condições financeiras para se manter longe de casa e, em caráter especial, estudantes estrangeiros e alunos com filhos. Não há cobrança de aluguel nem de conta de água e luz (o limite de consumo mensal é de 190 kW) para uma casa de 64 m² para ser dividida em quatro pessoas. Parte da mobília — mesas, cadeiras, camas, colchões, fogão, geladeira — também é subsidiada pela Unicamp. O transporte até a Universidade é igualmente gratuito. Além disso, trata-se, por si só, de um espaço riquíssimo em cultura e diversidade. Tudo muito bonito e até poético.

Foi nesse paraíso chamado pela galera de Moras onde, na quarta passada, a Polícia Militar foi chamada para a reintegração de posse de uma casa ocupada por alunos que ali moravam irregularmente. De imediato, o episódio provocou intensa movimentação de um grupo de alunos e da imprensa campineira. Na manhã de quinta, a Polícia voltaria e os alunos decidiriam ocupar a Administração da Moradia, onde permanecem sem perspectiva de diálogo com a reitoria, que até agora não se pronunciou — silêncio que, claro, abre brecha para uma série de boatos e informações enviesadas não-oficiais e não desmentidas e, por outro lado, dá a impressão de que a Universidade não está preocupada em resolver os problemas levantados pelos estudantes.

Tropa de choque encara a casa ocupada pelos estudantes // Foto: Míriam Porfírio

O engajado Carlos Latuff, que estava em Maringá naquele dia, lamentou o fato sintetizando o ocorrido numa charge:

Os estudantes prometem não arredar pé antes da renúncia do atual administrador e da garantia da ampliação de vagas na moradia. O principal argumento vem de um antigo documento no qual o então reitor Paulo Renato Costa Souza, ex-ministro da Educação de FHC, assegurava 1500 vagas residenciais. A ocupação reivindica 3300 — o que significa a construção de cerca de 600 novas casas. Atualmente, segundo os estudantes, são cerca de 900 moradores oficiais — além daqueles que vivem de maneira irregular, entre ex-alunos, não-estudantes, alunos que não tiveram contemplado o pedido de bolsa etc. Além disso, a Moradia passa há anos por reformas, o que agrava a falta de vagas, e há realmente uma série de problemas administrativos que vão da questão sanitária a discussões com estudantes sobre festas e decisões tomadas sem consulta ao Conselho Deliberativo.

O impasse permanece. Por essas e outras, vivendo por dois anos nesse meio, acredito que deva ser feita, desde já, a discussão sobre os critérios para a seleção de alunos para a Casa do Estudante da UEM, já que as vagas serão limitadas. Outro ponto: os alunos devem estar sempre atentos no andamento das obras. Afinal, um bloco de basalto feito de pedra fundamental não serve de morada a ninguém: entra aí a cobrança efetiva o cumprimento dos prazos das etapas das obras e a transparência nos gastos. E, claro, devem também se assegurar de que a gestão, no futuro, assegurará, mais do que uma cama e um chuveiro, um espaço para a convivência universitária e o engrandecimento acadêmico.

Administração ocupada pelos auto-intitulados Novos Tabanos e a barricada feita com camas velhas e material da reforma da Moradia // Foto: namoras.org

Acompanhe, por enquanto, o blog do Movimento de Ocupação na Unicamp

 

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