Das carroças em Maringá

Foto: Rafa C., 19.01.2009

Devanir Bérgamo, em 2008, sugeriu uma lei que probisse o tráfego de carroceiros nas ruas de Maringá entre as 8 da manhã e as 6 da tarde. O motivo, segundo ele, “o que estes cidadões (sic) fazem com estes animais é monstruoso e degradante”.

A lei 5369/01, de Mario Hossokawa, proíbe justamente o trânsito de carroças e carrinhos de mão no centro da cidade entre 10h e 18h30 nos dias úteis e entre 7h30 e 13h aos sábados.

Luis Miura rebateu Devanir: “Quer dizer que entre 18h e 8h os animais não sofrem? O problema me parece mais uma vez o egoísmo do motorista, desta feita, disfarçado. Sob o manto da piedade, restringe a exploração somente naquele horário que está incomodando-o (…) Somente proibir afastando do convívio dos ‘poderosos motoristas’ não humaniza, somente exclui”.

O Professor Paulo Vergueiro, então, contestou: “Sr. Miura, imagino, como leigo, que realmente em certos horários os animais sofrem menos. A menos é claro, que no mundo em que o senhor vive, a temperatura é a mesma as 24 horas do dia, bem como a intensidade do trânsito da madrugada é a mesma do horário comercial! Caso o Sr. viva na terra e em Maringá, poderá perceber que as dificuldades de locomoção de uma carroça, nas diversas avenidas em horário comercial, impõe ao carroceiro uma necessidade de imprimir velocidade, que seu pobre animal (…) não consegue responder. Como consequência o animal apanha. E muito”.

Naquela ocasião, alguém já apontava para o problema em menores pilotarem carroças. A lei 6417/03, de autoria do Executivo — quando o prefeito era João Ivo Caleffi –, proíbe a condução de veículos de tração animal por menores em Maringá.

Edson Lima, em 2009, escreveu: “Hoje as carroças ainda existem, mas são usadas para coletar materiais recicláveis pela cidade — geralmente conduzidas por menores de idade, que, não raro, usam as carroças para transportar produtos de furto”.

Ontem, Bergamo voltou a reclamar das carroças, agora atacando os menores que chicoteiam os cavalos. “É de cortar o coração. O que os animais sofrem nas mãos desses moleques, não pode continuar, é muito triste”. O blogueiro Edson concordou e constatou: “Mas, o que podemos fazer? Neste país aqui, menor não vai preso nem quando mata ser humano, que dirá por maltratar animais. É uma vergonha”.

Não discuto que os menores estão infringindo a lei. Só fico com medo de opiniões sem pé nem cabeça como essa — e essa da leitora Yoko, sempre enigmática:

“Tem gente, Edson, que só tem aspecto de gente, todavia, o comportamento é pior do que os animais, porém, temos uma exceção que vem a ser o comportamento do leão que, mesmo estando caçando e com a presa na mira, larga tudo para exterminar sua rival hiena, porque são inimigos mortais. Esses moleques de rua são verdadeiras hienas na sociedade, haja vista que diariariamente travão (sic) uma rivalidade entre duas espécies de raciocínio: ser trabalhador e honesto ou ser desocupado e desordeiro, afrontando os princípios da boa convivência social”.

Então, os menores carroceiros são hienas e nós somos os leões. São presas fáceis. Sensibilizamo-nos antes com os cavalos do que com os pobres garotos, que são naturalmente maus, mexem no nosso lixo e tumultuam de propósito o trânsito. Alô, Vandré Fernando!

Gustavo T. já viu marcas de sangue em formato de ferradura, na calçada, depois de um cavalo chocar-se contra um canteiro de coroas-de-cristo da casa de seus avós. Também já viu um carroceiro morrendo numa colisão com um Fusca. O cavalo, fiquem tranquilos, não se feriu.

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Uma resposta em “Das carroças em Maringá

  1. Proibição definitiva de veículos de tração animal não é viável, ainda.

    -Gustavo viu umas coisas bem chocantes heim.

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