Melhores da década: Tinoco do Brasil

Queeeeeeeeeeee beleza! Tinoco, metade da dupla Coração do Brasil, completará nove décadas de vida no próximo dia 19 de novembro ainda fazendo shows. Há 75 anos no palco, surdo de um ouvido e com problemas de saúde devidos à idade avançada, ele ainda encontra forças para financiar o tratamento médico de sua esposa, Nadir Perillo Perez, contra um câncer no pâncreas. Nadir, ao lado da dupla, compôs alguns sucessos na década de 1980, como Baile na Roça, Festa na Roça, Na Beira da Tuia e Viva Goiás. No começo de abril, Tinoco foi homenageado no especial “Emoções Sertanejas” de Roberto Carlos — apenas um singelo reconhecimento, comparado a décadas de serviços prestados à cultura brasileira.

Cabe aqui uma curiosidade: em 1935, em São Manuel, Tonico e Tinoco, ainda adolescentes, subiam ao palco pela primeira vez na Festa de Aparecidinha. Neste dia, meu avô era apenas um recém-nascido, no mesmo município. Por isto os 75 anos de palco. Na verdade, a carreira artística começaria apenas em 1942.

Generoso, Tinoco ganhou dinheiro e ajudou muitas pessoas. Hoje leva uma vida muito modesta na Mooca em São Paulo. Adoro esse homem — admiro o jeito sincero, até ingênuo, de suas atitudes e de sua fala. Nunca tentou disfarçar seu sotaque caipira e os erros de português. Se fosse hoje, minha redação daquele vestibular seria sobre ele. Baita capacidade interpessoal!

Ao lado de João Cioffi, “um homem simples e cheio de ideal”, em 2003 ou 2004 — não lembro mais — Tinoco enchia nossas tardes dominicais de alegria e boas versões de suas músicas cantadas no estúdio da Avenida Colombo ou ao ar livre, nas praças maringaenses. Era o programa Tinoco do Brasil, na RTV. O final apoteótico contou com um dia com o cantor, modas de viola caipira e violas brancas, devidamente autografadas pelo nosso herói.

Em 2005, completando 70 anos de carreira, Tinoco lançou um álbum chamado “70 Anos”. Depois de boas versões de Santa Maria do Brasil (Lindomar Castilho), Tchau Amor (Zé Tapera e Teodoro), Baile na Fazenda (Roberto Carlos), Tema de Lara (Maurice Jarre) e até de Cowboy Fora da Lei — baixe aqui –, descobre-se que uma conhecida faculdade de Maringá apoiou a produção do disco. Boooooa, Cesumar!

No começo de 2009, nossos corações ficaram pisados, como a flor que murcha e cai, quando soubemos das dificuldades por que passava Tinoco, entrevistado por Edson Lima, que soube do drama pelo jornalista Ricardo Kotscho. Tinoco rifava um Gol 98 para o tratamento médico de Nadir e só queria trabalho. Então, liderado pela família Braz Palma, um grupo influente na cidade autodenominado “Amigos de Tinoco” promoveu um jantar dançante em homenagem ao músico. Tinoco também foi garoto-propaganda da rede de supermercados Bom Dia durante algum tempo “Queeeee beleza!”.

Incrivelmente, o programa Tinoco do Brasil foi esquecido, não se acha nada sobre ele por aí. Fica a dica, RTV: reprise os programas! Vale mais do que aqueles boleros que o João Cioffi canta no “intervalo musical”.

E Tinoco estará na UEM neste domingo!

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