Há 30 anos, falecia meu bisavô

Há 30 anos, falecia no Hospital São Francisco meu bisavô, o Sr. Gojiro Teramatsu, cujos restos mortais repousam no Cemitério Municipal de Maringá.

Nascido no sul do Japão, em Fukuoka, provavelmente vivia no vale do Rio Chikugo, que nasce no Monte Aso e deságua na Mar de Ariake. Em junho de 1933, embarcou em Kobe para o Brasil a bordo do Buenos Aires Maru, da Osaka Shoshen Kaisha, desembarcando no porto de Santos em 2 de agosto daquele ano, aos 30 anos. Certamente, em sua viagem, passou por Hong Kong, Cingapura, Colombo (no Sri Lanka; naquela época, Ceilão), Durban e Cidade do Cabo (na África do Sul, ainda um domínio britânico) e Rio de Janeiro. O navio seguia viagem até à foz do Rio da Prata, passando por Buenos Aires e Montevidéu.

O Buenos Aires Maru, construído em 1929, foi o último navio a trazer imigrantes japoneses antes da sanção brasileira devido à II Guerra Mundial; foi também neste conflito que, em 1943, foi bombardeado no Mar de Bismarck.

Em 1943, dez anos vivendo em um país estrangeiro, Gojiro morava no povoado de Marialva, depois de mudar-se de Santo Anastácio (SP), onde conhecera a nissei Tioco Hirakawa. Os dois casariam-se em julho de 1936. A família veio para o Paraná em 1942.

Na década de 1970, meus bisavós moravam na Arthur Thomas, 818, onde hoje funciona um consultório odontológico. Meu tio Edson recorda os costumes de meu bisavô, embora o diálogo com seu avô fosse limitado, já que era criança e não falava japonês. Ele era considerado uma pessoa inteligente e ponderada e tinha muitos amigos da colônia japonesa.

Ele mantinha dois orquidários e foi muito premiado em concursos de orquidófilos — um de seus troféus ocupa lugar de destaque na casa de meus avós. Levantava cedo, antes do Sol, e sentava-se na cozinha para preparar seu chá verde, que ele mesmo plantava em um vaso. Então, com auxílio de uma antena que ele próprio improvisara, sintonizava no rádio algumas rádios japonesas, principalmente para ouvir transmissões de lutas de sumô.

Nos meses que precederam sua morte, costumava caminhar até o Parque do Ingá, depois do almoço, para pescar.

Seus descendentes são 5 filhos, 16 netos, 11 bisnetos e 1 tataraneta.

Obviamente, não cheguei a conhecê-lo, mas fica aqui minha pequena homenagem. Acredito que a morte seja apenas uma passagem; então, aguardo ainda meu encontro com ele.

Anúncios

Uma resposta em “Há 30 anos, falecia meu bisavô

  1. Pingback: Duas frustrações « Maringá, Maringá

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s