Melhores da década: Cinema na periferia

Sábado, 12 de julho de 2003. Inauguração do Cinesystem Cidade. O Shopping Maringá tornara-se o Shopping Cidade, que ainda trazia “de descontos” no final do nome. Carecia, pois, de salas de cinemas mais modernas. Na estreia da primeiríssima sessão da sala stadium, foi exibido o filme As Panteras Detonando. Talvez para compensar a péssima película, foram sorteados vários brindes antes da sessão. É claro que não ganhei nada.

A cidade clamava por opções de lazer. O Cine Aspen, cujas salas tinham cheiro de chulé, estava fechado. Naquele ano, até a carteirinha do meu colégio vinha com código de barras para participar do “Eu Sou Fiel”, o clube de vantagens da rede de cinemas, tamanha influência naquela região da cidade. Porém, também nunca ganhei nem uma pipoca pequena.

Já era frequentador assíduo do cinema da Tuiuti, 710, na época dos Cinemas Maringá. Foi lá que vi clássicos como Harry Potter e a Pedra Filosofal, Dr. Dolittle 2, Xuxa e os Duendes, Inteligência Artificial, Planeta dos Macacos e Homem-Aranha. Poder ir a pé até lá, pagando pouco, era um grande atrativo. A economia acontecia até no refrigerante, que podia ser comprado em uma loja em frente. Já cedo colocava em prática o que o Felipe prega nos dias de hoje.

É na pré-adolescência que definimos os gostos que nos acompanham por toda a vida. Cinema, para mim, é algo que perde a graça com salas lotadas de crianças, pipocas para o alto e gritaria. Nesse caso, mais estressa do que relaxa. Foi lá que adquiri o hábito de ver filmes sozinho, pagando pouco, com pouca gente na sala.

Como ia desacompanhado, não participava da tradicional promoção do beijo, que acontece às quintas-feiras. Mas não era tão desesperado quanto o rapaz do comercial, esse atentado ao bom senso da família maringaense, que pagou uma prostituta para beijá-lo. Ora, com o que ele gastou, daria para ir ao cinema umas 15 vezes!

(Confira a série: princesinha do bombadão, mocinha da limpeza, mocinha da bilheteria, Sônia Braga* e Maringay).

Quando essa propaganda foi feita, já não frequentava mais o lugar. Foi a pá de cal na minha relação com aquelas salas de cinema, que chegaram até a abrigar o Projeto Um Outro Olhar. Bons tempos.

No fim da década, não há mais Cinesystem Cidade, o Aspen virou Maringá Park e a rede foi para lá. A moda são os filmes 3D. Harry Potter teve seis continuações e mais duas virão. Estamos todos envelhecendo.

Lembrando que você pode ganhar dois ingressos para o cinema participando da promoção do D-Cast!

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*Sônia Braga é a boneca do Geraldão.

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Uma resposta em “Melhores da década: Cinema na periferia

  1. Pingback: Os Filhos de Jeca | Maringá, Maringá

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