Adoráveis servidores públicos municipais

Um antigo cartaz afixado em todas as repartições públicas dizia que desacatar funcionário público no exercício da função era crime. Era o caso, pois, de esperar o expediente acabar e pegá-lo na saída. Alguns, porém, são tão adoráveis que é impossível pensar em desrespeitá-los:

Ontem conversei com um guarda municipal que tomava conta do que restou da Rodoviária Velha. Entre nós, um alambrado de dois metros de altura. Questionei-o sobre a possibilidade de entrar lá e tirar algumas fotos do lado de dentro. Ele educadamente disse que não poderia deixar e que eu deveria solicitar autorização à Guarda Municipal ou à Prefeitura. Por ele, tudo bem, mas ele devia respeito aos superiores. Como tinha tempo, aproveitei para perguntar como é o trabalho lá. Ele disse que não é muito bom. Ele tem de garantir que nada entre ou saia da área. Trabalha 12 horas, das 7 às 7, e descansa 36. Há um banheiro químico e tiveram de improvisar uma guarita em uma das antigas lojas, com material da demolição, mesmo. É lá que trocam de roupa, esquentam a marmita e comem. Afinal, não é digno fazer isso diante dos transeuntes, ao ar livre. Também não é aconselhável fazer isso sob a chuva ou no frio. Coisa que nossa Prefeitura parece desconhecer. Parece também desconhecer o perigo de alocar trabalhadores dentro de um edifício que anos atrás foi interditado sob risco iminente de desabamento e que hoje está parcialmente demolido. Ah, é, lembrei: não havia risco algum!


Hoje fui à biblioteca da Kakogawa devolver alguns livros, todos sobre Maringá. De logo, perguntaram se eu era estudante de História. Respondi que não, contei a história de sempre. Emprestei o dvd do documentário As Lentes de Kenji. O funcionário, notando a ascendência que não posso negar, perguntou se eu gostava de animes e mangás da Era Kenji, dos samurais. Eu disse que não, mas ele insistiu: Samurai X, o filme O Último Samurai. Fiquei com vergonha de corrigi-lo. Disse apenas que vi no cinema e que admirava o Ken Watanabe. Quando saí, ele disse para outra funcionária: “Putz! É Meiji! Kenji é um estilo de escrita”. Nada sei de nihongo, mas valeu a tentativa.

Esse é o kanji para vergonha:

Adoro a urbanidade dos maringaenses.

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