Melhores da década: last.fm

2005. O então Audioscrobbler começava de maneira tímida no Brasil — fora inaugurado em fins de 2003 na Europa, mas já gestava há anos nas mentes de Felix Miller e Martin Stiksel. Nas palavras de Alexandre Inagaki, no Multiply (um orkut que não deu certo), por quem eu soube, era uma mistura do Audiogalaxy com o orkut, cujo arrebatador lançamento fora há mais de um ano.

Aderi prontamente, seduzido pela ideia quantificar em tabelas e gráficos de barras o meu gosto musical. Desde então, o site evoluiu para o Last.fm, com domínio pago à Micronésia, e foi comprado pelo grupo CBS, quando passou a pagar domínio em diversos países. Mas a premissa continua a mesma: ele indicará novos artistas e faixas com base nas músicas que você costuma ouvir e, também, outros usuários com o gosto parecido com o seu. É a internet, mais uma vez, mediando as relações humanas.

De dezembro de 2005 para cá, no meu perfil, são mais de 24 mil execuções. O Rafa também está lá desde março de 2008, com mais de 12 mil execuções. O Felipe também, desde julho de 2008, mas usa pouco.

Maringá na Last.fm
O grupo dedicado à nossa cidade foi criado em maio de 2006, com a descrição que continua até hoje: “para os amantes de música que fazem jus ao título de Cidade Canção”. Traz uma pequena lista com artistas da cidade e da região e reúne 165 membros. Por muito tempo subutilizada, começou a ser ocupada, de uns tempos pra cá, por uma galerinha bacana. Vamos conhecê-los um pouco melhor agora.

Das serventias da last.fm
Todos os entrevistados são unânimes em apontar a principal utilidade do sítio: encontrar artistas dentro de um gênero musical que o usuário já conheça, isto é, é bom sobretudo para ampliar seu universo de artistas. Neste contexto, é um ambiente para conhecer pessoas com o mesmo gosto musical que o seu. Gustavo Scherbaty, 20, mas com corpinho de 13 (segundo ele mesmo), chega mesmo a se apaixonar constantemente por aqueles vizinhos “super”. Com a mesma frequência, porém, fica decepcionado com o mau gosto musical alheio. Giuliano G., 20, gosta de jogar conversa fora, sem sentido ou compromisso. Já Amanda Caroline, 19, gosta de acompanhar essas conversas, que a fazem rir muito!

Eduardo Camanho, 18, descobriu Seu Cuca, Scracho, The Moldy Peaches e Reverba Trio; Babih, 19, seguiu as indicações do site e passou a ouvir Boards of Canada, How to Destroy Angels, Alarm Will Sound, The Radio Dept. e Kammerflimmer Kollektief; Amanda, Band of Horses e Milburn; e Gustavo, Explosions in the Sky; Giuliano, Bonobo, Amon Tobin, Blockhead, Deadmau5, Gui Boratto e Way Out West.

GaGa-ooh-la-la!

Ao contrário das pick-ups (os carros mesmo, não aquelas dos DJs!) de Maringá, na last.fm o sertanejo não tem vez. Uma discussão recorrente é sobre as ótimas colocações que Lady Gaga obtém toda semana. Aí, as opiniões divergem. Camanho diz que não gosta muito, mas os outros discordam. “Não vou negar, as músicas da mulher são um chiclete, ótimas pra dançar e tal, querendo ou não, alguém sempre se pega cantarolando alguma música dela, mas é o objetivo do pop, não? Escuto na maioria das vezes no carro e em festas, não rejeito”, revela Amanda. Babih a respeita como artista. “Ela teve preparação musical antes de seguir carreira no mundo pop”, diz. Gustavo acha que Lady Gaga faz um trabalho digno. “O mais legal é que ela parece se assumir escrota e valorizar bastante isso. Acho bonito esse lado dela”. Giuliano segue: “Só acho que ela é meio problemática quando o quesito é moda”.

Da mania de organização
Embora haja críticas a quem ouça músicas no computador ou no iPod, o last.fm exige certa organização dos arquivos, senão o usuário corre o risco de dar audiência ao Artista Desconhecido. Nas palavras de Babih: “Já que atribui ao meu last.fm a função de encontrar músicas a partir daquilo que eu já gosto, ter as músicas organizadas é um requisito básico para que isso aconteça”. “Acho bacana manter limpas as tags do last.fm. Inclusive, não há sentimento pior que o de fazer download de um disco e descobrir que as tags vieram todas erradas”, diz Gustavo. Camanho, por sua vez, é despojado: “Não me preocupo muito não, as vezes penso em arrumar, mas dá preguiça. Não vai mudar nada na qualidade da música mesmo…”, sentencia.

Das manipulações
Há usuários que manipulam suas execuções. De fato, só vai para lá o que você quer que apareça. Guilty pleasures não têm vez. Amanda diz que nunca manipulou seu perfil. “Se alguém faz isso eu acho que é por razão de querer mostrar o quão fã é da banda, ou sei lá”. Gustavo revela que já deletou músicas. “Apaguei vinte execuções de ‘Detalhes’, do Roberto Carlos, que eu tinha feito no repeat em uma época meio negra da minha vida. Acontece, né. Entendo que as pessoas não queiram que todo mundo fique sabendo que elas ouvem Claudinho & Buchecha em suas intimidades, por exemplo. Confesso até que desligo o scrobble com certa frequência pra fazer esse tipo de coisa”. “Bonitismo acima de tudo. A única manipulação que faço é desligar o registro quando vou ouvir Miley Cyrus. Mas não acho necessário montar uma imagem que pode ser desfeita facilmente”, diz Giuliano.

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2 respostas em “Melhores da década: last.fm

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