Demolindo argumentos ruins

A charge acima é de Leandro Ricardi Rodrigues, do Paiçandu Blog News. Não sei se discordo da tirinha, porque, para começar, não entendi o que ela quis dizer.

Como sempre, parecem esquecer todo o passado da Rodoviária Velha, remetendo-se apenas ao passado recente, quando se encontrava degradada, expropriada de sua função original, funcionando de forma deficiente. Mas algo contra quem tinha de pegar ônibus ou usar o banheiro ali? É preciso ter dado esmola a mendigos, ter dado dinheiro às prostitutas, para ser a favor da preservação?

Ninguém que defendeu a preservação compactua com o mau uso do espaço público, com crimes, com os pobres drogados que se tornaram comuns no entorno da Rodoviária. A preservação do edifício e sua reforma, pelo contrário, dariam nova função a um espaço subutilizado — exatamente o mesmo argumento daqueles a favor da demolição. Ser a favor da preservação da Rodoviária é ser, ao mesmo tempo, contra o descaso do poder público com o patrimônio de Maringá — característica não só da atual administração, diga-se. É ser a favor de que um espaço que sempre foi da população pudesse ser usado de maneira saudável, respeitando a História da cidade, a favor da maioria dos maringaenses e não apenas dos grandes “imobiliaristas” (expressão tipicamente maringaense, diga-se!).

Em Maringá, é preciso, antes de tudo, demolir os argumentos ruins.

P.S.: Apenas alguns minutos depois de terminar o post, soube que a demolição já havia começado, adiantando-se à manifestação de amanhã. É a vitória da ignorância, do dinheiro e do poder sobre a história e o patrimônio de Maringá. Que pelo menos a manifestação aconteça, que mostrem o crime que acontece nesta tarde.

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4 respostas em “Demolindo argumentos ruins

  1. Gustavo, a idéia da tira, era que os leitores completassem o ultimo quadro, onde poderiam defender seus pontos de vista, na fala dos personagens…é uma “tira interativa”, foi minha intenção quando enviei ao Edsom, inclusive explicando isto no email… e nos coments lá no blog dele eu também tentei explicar, não sei se pode ver! Ao postar não foi destacada tal idéia.
    Quanto ao passado/presente da rodoviária, trabalhei de vendedor naquelas lojinhas (em várias) nos anos de 93 e 94, inclusive à noite, quando ainda lá paravam ônibus de linha. E como moro em Paiçandu, até recentemente os pontos de circular eram lá. Quando cursei UEM, pegava o coletivo ali todos os dias, durante anos…

    Ví e presenciei coisas absurdas, que um dia se tivermos oportunidades te relato.

    Na minha modesta opinião a simples demolição não seria o ideal, foi uma falha nas políticas públicas.
    Mas aquele local precisa de um cuidado.
    Voltando à simples charge, acredito que ela atingiu seu objetivo, que foi levantar o debate…

    Na rodoviária havia um sistema de rádio interno, com locutora e tudo mais, as músicas que ela tocava eram do meu gosto, é uma lembrança boa.

    À propósito você alguma vez usou os banheiros de lá?

  2. A História de nossa cidade com certeza não esquecerá esta vio-lencia e arbitrariedade cometida pelo poder público que destrói e ignora a importancia do nosso patrimônio histórico .

  3. Falha do Edson Lima, então, Ricardi. O seu comentário ficou escondido.

    Os ônibus de linha paravam ali até a construção do novo terminal, em 2003/2004. Mesmo assim, eu ainda pegava ônibus ali — a linha 254-A que passava pelo Jardim Liberdade.

    Com certeza a Rodoviária merecia cuidado. Vou dedicar mais um texto sobre isso.

    Nunca usei os banheiros de lá, mas sei o péssimo estado no qual se encontravam. Mais uma vez, é algo que demonstra que o local precisava ser repensado, não necessariamente demolido, suprimido.

    Vamos continuando a discussão.

  4. Estou a mais de 2000 km de Maringá, nascido em Maringá, tenho 32 anos e sou professor de História, graduado pela UEM, tenho ótimas recordações da “Rodoviária Velha”, poderiam preservá-la, um centro cultural juntamente com o Cine Teatro Plaza, preços populares de eventos clturais no local, revitalizando sem excluir.
    Como estou triste.

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