Expoingá – memórias

Por Paulinha Mihuda

Não lembro exatamente em que ano fui a única vez na Expoingá – feira tradicional que envolve shows musicais, leilões, apresentações de animais, cursos, palestras e reuniões do público envolvido. O que realmente me lembro é que a principal razão pela qual fui a feira foi o show do Gabriel O Pensador. Na época ele estava estourado com o lançamento de seu primeiro disco (Gabriel O Pensador, 1993) por conta de músicas como “Retrato de Um Playboy” e “LôraBurra”, o que me faz calcular que minha visita na Expoingá aconteceu entre os anos 93 e 95.

Junto com o show dele outros grandes nomes da música também se apresentaram naquela noite, mas apenas me lembro de ter tido a oportunidade de ver Chitãozinho e Xororó, show no qual ouvi “Nuvem de Lágrima”, clássico dos anos 90 e das trilhas de novela.

Com isto dá pra perceber que a programação cultural da feira é bastante eclética e este ano irá contar com nomes como (os “sócios”) Chitãozinho e Xororó, Roupa Nova, Fresno, Pitty e como não podia faltar o moleque-fenômeno Luan Santana, entre muito outros (confira a agenda completa aqui).

Para as pessoas que como eu já passaram da fase de Ana Raio e Zé Trovão e hoje não vêem rodeio com tanto entusiasmo e não liga para as atrações musicais há sempre a opção dos brinquedos na área a la parque de diversão. E foi nos brinquedos que nos jogamos enquanto esperávamos pelos shows que pareciam demorar uma eternidade para começar.

Ao chegar na feira vi ao longe meu objetivo: o barco viking. Acompanhada de um irmão menor e um pai mais que zeloso, foi preciso algumas boas horas e muita saliva para convence-lo de que eu era grande o bastante para ir em um brinquedo como aqueles.

O exercício de convencimento fez com que a emoção de subir no barco fosse enorme, a mão suava e tudo mais. Meu pai que não se dá bem com este tipo de brinquedo – na última vez em que me acompanhou em uma montanha russa, saiu de lá branco, como se tivesse visto um fantasma – ficou em terra firme. Então acompanhada de meu irmão, que não estava ligando muito para nada, fui toda corajosa encarando o meu próprio desafio/vontade.

Mas as coisas mudaram após a trava de segurança ser acionada e o barco começar a se mexer. Pois foi neste exato momento em que vi que meu corpo – pequeno e magrelo – parecia solto no brinquedo. Cair tenho (quase) certeza que eu não iria, afinal o barco não passa dos 90º, mas eu era tão magra que era fácil de imaginar meu corpo deslizando pelo banco e saindo voando pelos céus de Maringá.

Tal idéia me fez “vestir” o branco fantasma natural do meu pai e na primeira decida mais um choque, gritei e cadê a voz? Ela simplesmente não saia. O som travou na garganta e a cada nova queda/subida a vontade de gritar era proporcional a altura em que estávamos. Foram os X minutos mais longos da minha vida.

Ao final da brincadeira meu irmão desceu do barco como o exemplo de felicidade, animado não calava a boca e queria ir de novo. Já eu, no alto de meus 9, 10 anos de idade, me transformei em uma sra. de 75 anos. Deixei o brinquedo andando bem de vagar, testando o chão a cada passo para ter certeza de que não iria cair. Trêmula e ainda sem voz só consegui negar o pedido de acompanha-lo fazendo um não bem lento com a cabeça.

Nesta hora dei graças a Deus por faltar horas para a apresentação do Gabriel O Pensador, pois naquele estado eu não tinha a mínima condição de cantar a plenos pulmões Retrato de um Playboy ou então Núvem de Lágrimas.

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3 respostas em “Expoingá – memórias

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