Gripe porcina

Porcos são engraçados por natureza. Vide Babe, o Porquinho Atrapalhado e o Gaguinho. No começo, também, houve quem estivesse associando a gripe a pessoas gordas (Rodrigo Scarpa, o Vesgo do Pânico, queria fingir que estava perseguindo João Gordo para pegar a gripe — um dos primeiros escândalos do twitter) e a palmeirenses (só neste blog há três; por isso, que bom que a gripe não é transmitida online).

Em espanhol, a gripe suína, como ficou conhecida primeiramente no Brasil, é gripe porcina. Ao constatarem que o nome remetia àquela antiga personagem de Regininha “Tenho Medo” Duarte, o que seria terrível, pois as pessoas morreriam de rir e não de gripe, resolveram chamar apenas de H1N1 ou Influenza A, que é mais sério, dá mais medo.

Alguns torceram para que a gripe chegasse logo a Maringá, afinal, os jornais precisam de notícias. Enquanto não chegavam, alarmavam de todo jeito. Agora, se perguntam: “Gente…o que tá virando este país?”. A culpa não é senão de pessoas que agiram assim?

Concordo com a opinião do Vicente Lugoboni, publicada pelo Rigon.

A cobertura jornalística dessa gripe é um compêndio de fatos isolados, do tipo: “Vendas de máscaras descartáveis aumenta 500%”, “Produção de álcool em gel dobra”, “Escolas particulares adiam retorno às aulas bem longe daqui”, “Mais um suspeito da nova gripe”. Esses fatos isolados, que representam não a gripe em si, mas o receio da população, são noticiados repetida e exaustivamente por vários jornais em nível nacional, internacional e regional, elevando exponencialmente o medo da população e criando um estado de preocupação que não é necessário.

Já entramos num círculo vicioso: as notícias sobre o medo da população aumentam o medo da população, o que produz mais notícias sobre o medo da população, e por aí vai.

Cancelar as aulas, a resolução mais estabanada de todas, foi realmente uma medida muito boa: parece que o Governo e as pessoas realmente estão fazendo alguma coisa para evitar o contágio — e não estão — e, se alguém pegar a gripe até o retorno às aulas, irão dizer: “Puxa, ainda bem que cancelamos a aula. Ele poderia ter passado a gripe para os colegas”. Mas, se ninguém pegar, dirão: “Viram só como funcionou? Todo mundo está são”.

Há um problema fundamental na cobertura jornalística da gripe: a incoerência. Cria-se um estado de calamidade pública, mas, ao mesmo tempo, querem reduzir essa preocupação criada dizendo que o índice de mortalidade é o mesmo da gripe comum, que não precisa ir ao hospital por qualquer tosse, etc. Então, por que estão noticiando mais o medo da população do que a gripe em si?

Incoerente também foi cancelar as aulas. Na Unicamp, por exemplo: resolveram adiar o início das aulas para o dia 17 de agosto. Isso foi anunciado enquanto estava no caminho de volta para Campinas. Cheguei e soube. Mas, ao mesmo tempo, a Unicamp sedia um congresso nacional de estudantes, contando, inclusive, com estudantes da UEM.
Juro que não entendi.

2 respostas em “Gripe porcina

  1. Enquanto estudantes da UEM participam de congressos pelo Brasil afora, aqui ela vai divulgar o resultado do vestibular somente pela internet para evitar aglomerações. Vai entender!

    Ah, vi um vídeo em espanhol falando da “gripe porcina” e achei bacana esse nome, até fiquei com vontade de pegar.

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