Melhores da década: Water Park

* Republicação revisada. Fotos: Site oficial

Vamos falar de um dos pontos mais pitorescos de Maringá: o Tropical Water Park Internacional, que muitos teimam em chamar de Walten, Waten ou Walter Park.

Maringá só não é perfeita, muitos dizem, porque não tem praia. Por outro lado, tem empresários visionários que nos fazem esquecer disso, como a família de Ramires Moacir Pozza que, sob a égide da Construtora Pozza, em 1996, criou um parque aquático na várzea doCórrego Cleópatra, em terreno cortado pelo Trópico de Capricórnio, com projeto assinado por Hélio Moreira Júnior. Lembro vagamente de ter ido a esta “inauguração” com tios e primos. Houve palhaços e algodão doce, além de muita terra vermelha. Alguém mais se lembra?

Nem sei como lá está hoje, por isso escrevo conjugando no passado. No começo da década, ia muito com minha família. Pegávamos a Interbairros e descíamos na JK. Andávamos toda a rua Martim Afonso a pé e perdíamo-nos pela Vila Emília até chegar ao destino. Antes de tudo, fazíamos o “exame médico”, que consistia em mostrar as virilhas, os meios dos dedos dos pés e, com os braços levantados, dar um giro de 360° em frente ao “médico”. Então, estávamos liberados para um dia de muito lazer e diversão. As atrações eram várias:


Piscina de ondas – Menina dos olhos do parque. Nem sempre estava com ondas, é claro. Quando a máquina que produzia as ondas era ligada, sirenes ecoavam por todo o parque, fazendo com que todos corressem para lá. Era muito engraçado, porque alguém, na pressa, sempre acabava escorregando e se ralando todo. O fundo da piscina dava medo, pois havia ondas de vários metros de altura. Havia também uma cordinha presa nas bordas da piscina que indicava o limite para aqueles que não sabiam nadar. Quando alguém fazia alguma coisa perigosa ou ultrapassava aquele limite sem perceber, o salva-vidas advertia com um apito. Quando a máquina era desligada (devia gastar muita energia), as ondas cessavam e os banhistas gemiam em coro: “Ahhh!”. Ou mesmo vaiavam. Foi assim que o salva-vidas mandou fazer uma série de plaquinhas, que eram levantadas por ele nessa ocasião. Não lembro muito bem do que estava escrito nelas, mas eram mensagens que brincavam com os frequentadores da piscina. Ah, comprando um sorvete em uma lanchonete próxima, você ganhava o direito de usar de graça uma boia bem grande. Tais boias eram responsáveis por uma série de “atropelamentos”.

Ilha — Na margem da piscina de ondas, havia uma ilha artificial, com um pequeno canal d’água que passava em sua volta. Minha família nunca conseguiu ficar lá. Acho que quem chegava primeiro pegava lugar, talvez o mais privilegiado do parque.

Música — Verão não é verão sem música. O parque tinha um ótimo sistema de auto-falantes com música non-stop para animar os banhistas, sempre sintonizado em alguma rádio local.

Piscinas “tropicais” – Eram mais quentes devido a urina de seus frequentadores, geralmente solteiros. Cabe lembrar que a piscina de ondas era, por excelência, local de famílias, porque as crianças só queriam saber de ficar lá. Mas nas piscinas tropicais, a azaração rolava solta. Lá, você podia ficar admirando os corajosos que desciam os tobogãs ou seduzir alguém (Mayara B., no orkut, revelou que o “primeiro encontro ideal” “foi no tropical water park…”. Nós dissemos!).

Tobogãs – Haviam dois escorregadores, quase uma queda livre. Haviam outros, um de cada cor. O laranja, menor e menos emocionante, era para os menores e menos corajosos. O vermelho era bem rápido e dava a impressão de que você seria projetado para fora dele nas curvas. A velocidade era tal que pessoas sempre saíam dele com as costas raladas. Havia também o azul, mais extenso e menos veloz. Por isto, era preciso prestar atenção na pessoa que descia antes, senão era capaz de colidir com ela durante a descida, o que não raro acabava acontecendo. Havia também o amarelo e o branco, que ficavam fechados. De cima da estrutura dos tobogãs (cuja pintura sempre estava descascando devido a umidade), dava para ver o centro da cidade. Era muito bonito, mas sempre havia uma brisa cortante lá em cima. Quando chovia, fazia muito frio!

Playground – Havia o castelinho, os pré-adolescentes também brincavam, para se mostrar às crianças menores. Havia também pequenos escorregadores em forma de baleia, pelicano e sapo — você descia pela língua deles, que eram bem íngremes. Dava medo de cair de cabeça. Havia também um polvo que esguichava água pelos tentáculos (!), cogumelos e cactos de cujos topos fluía água (!!), um lápis em pé que esguichava água por sua ponta (!!!) e outras bizarrices. Em outra parte, havia a “diversão seca” — um parquinho com casas de bonecas, balanço etc., que era parte preferida dos Cascões.


* Mais vídeos aqui.


Hidromassagem – Para os mais velhos, havia a hidromassagem — uma pequena piscina com jatos de água bem fortes que saíam das paredes. As crianças que se atreviam a ficar ali saíam sempre com as costas vermelhas.

Piscina coberta – Deveria ser aquecida, mas era sempre a mais fria porque lá não batia sol. Era entrar lá e ficar fedendo cloro e olhos ardendo. Na verdade, entrei nela uma vez só, pois me estragou o dia.

“Escorrega” e “riozinho” - Ficava na parte mais baixa do parque, próxima ao córrego. Havia um escorregador bem largo, feito de concreto, com ondulações. A criançada tinha de subir por uma escada ao lado, sempre molhada. Alguém sempre escorregava e ficava com as pernas roxas. Em volta dele, havia um pequeno rio pelo qual as pessoas ficavam andando a pé ou mesmo em boias. Como havia bastante árvores ali, você tinha de ir abrindo caminhos entre as folhas caídas, pisando nos frutinhos no fundo do canal, que machucavam os pés. Havia também uma ponte que balançava bastante. Era possível, por ali, fazer um churrasco no meio do mato ou ver as pessoas que entravam no parque sem pagar chegando no meio das árvores.

Piscinas de biribol – Para os “atletas”, havia duas piscinas de biribol, chamado aqui de “vôlei de piscina”. Não era muito bom porque a bola sempre caía para fora, fazendo com que alguém tivesse de levantar para buscá-la. Ou então, a bola caía no tobogã ao lado — era uma tartaruga gigante (!) — e ia escorregando até parar lá embaixo. Um horror.


Dino Burguer – Ficava próximo ao escorregador de dinossauro, em uma parte escondida do parque, relicto do Jurássico maringaense. É, a Pré-História local foi rica. Tal escorregador tinha uma queda muito abrupta e ele terminava em uma altura razóavel, fazendo com que as crianças fossem projetadas em uma piscina bem rasa, de um palmo de altura, batendo o bumbum com uma força violenta. O lanche do Dino Burguer era o melhor, mas era bem pesado — até levava ovo frito. O cara que os preparava era a simpatia em pessoa. Parecia com o Barney dos Flintstones. Onde está ele, agora?

Comidinhas – Entrar com comida era proibido, mas todo mundo dava um jeito. Tive meu primeiro contato com um BOLOVO em uma das lanchonetes do parque. Havia até mesmo um restaurante.

Na volta, os farofeiros (como eu) podiam pegar a linha 222 até o terminal. Como o ônibus só passava de hora em hora, ele sempre ia lotado. O cheiro de sal cloro misturado a Sundown, o cansaço, a pele ardendo diziam que o dia estava chegando ao fim — mas no fim de semana seguinte haveria mais!

Além de tudo, o Water Park é um ótimo local para fotos posadas, como esta do /puglisi!

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